A síndrome do estresse biológico, denominada por Selye de Síndrome de Adaptação Geral (SAG), apresenta três estágios: reação de alarme, fase de resistência e fase de esgotamento. Comparativamente aos ciclos da vida, temos a infância ( pouca resistência e reações excessivas) como a fase de alarme; já a idade adulta (elevada capacidade de resistir) associa-se à fase de resistência; e a velhice ( perda das capacidades) representaria a fase de esgotamento.
Na reação de alarme, ocorre a mudança característica do organismo em resposta ao estímulo: sob estresse há liberação de adrenalina, que é uma substância vasoconstritora, provocando uma redução no diâmetro dos vasos coronários. Há liberação de aldosterona, hormônio que diminui a diurese aumentando o volume interno de líquido, o que provoca o aumento do número de plaquetas no sangue ( hemoconcentração). Paralelamente, sob estresse o organismo libera corticóide ( cortisol e hidrocortisona) que estimulam a glicogênese (catabolismo) produzindo um estado de hiperglicemia. A glicose metabolizada fornece energia. Se o estímulo estressor for intenso, ele representará uma ameaça à vida, podendo levar à morte.
O estágio de resistência surge quando a ação do estressor é prolongada, exigindo uma adaptação do organismo. Contrariamente ao que acontece na reação de alarme, há uma rarefação do sangue (diluição-sedimentação) e anabolismo com retorno para a glicemia normal. Outras reações vão ocorrendo no organismo, se o estresse persiste.
No cérebro há um conjunto de estruturas chamadas de sistema límbico, que é o responsável pela regência da vida emocional, do pensamento, da vontade e das ações. O sistema límbico integrado com o hipotálamo irá reger o sistema nervoso autônomo, o sistema imunológico e o sistema neuroendócrino.
O estágio de esgotamento desenvolve-se quando a ação do estressor, ao qual o organismo se adaptou, permanece por um período longo, esgotando a energia de adaptação. O organismo é atingido no plano biológico ou físico e no plano psicológico ou emocional. Cada indivíduo tem propensão para adoecer de acordo com o órgão-alvo de maior fragilidade, com a própria constituição e suas heranças genéticas.
O grau de desgaste do corpo diante de agentes estressores depende:
1. do efeito direto do agente estressante sobre o indivíduo.
2.de respostas internas que estimulam a defesa dos tecidos.
3.de respostas internas que estimulam a rendição dos tecidos, em virtude da inibição das defesas.
O equilíbrio ( homeostase) desses três fatores vai determinar a resistência, a adaptação e a falência em resposta ao estresse. Só a presença de estímulos estressores não provoca automaticamente o estado de estresse. O mesmo estressor pode provocar reações distintas em indivíduos diferentes. Há fatores condicionantes individuais: predisposição genética, idade, sexo e personalidade.
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