terça-feira, 17 de maio de 2011

O estresse e a vida moderna I

       Houve  um  momento,  na  trajetória  da  humanidade  em  que   não  havia  eletricidade,  motores,  máquinas   ou   automação. A  velocidade   dos  acontecimentos  correspondiam  quase   que  exatamente  à velocidade  com   que  o  ser humano agia  e  locomovia-se. É claro  que  a vida  era  lenta; por  exemplo,  não  se   podia  realizar   grandes  viagens  ( os  veículos  que podiam  atravessar grandes  espaços  eram  raros,  e   muito  poucas   pessoas  possuíam-nos).  No dia-a-dia  somente  pequenas  viagens  eram  possíveis. Se  alguém quisesse  fazer uma  longa viagem, podia sim,  mas  teria  que  contentar-se   com  a  velocidade   e  o  ritmo  que  os  meios  de  locomoção   propiciavam. Estes  veículos  ofereciam  pouco mais  que  a  própria   capacidade  do corpo humano  em locomover-se.  Mas   o   homem, na  sua   inquietude,  não  se  conformou   muito  em   manter-se  dentro  destes  limites.  Deste modo,   começou   a  tentar  cada  vez   mais  encontrar  recursos   que   superassem  suas  humanas  capacidades,  que  mostravam-se  muito  lentas   para  cumprir   todas  as  realizações   desejadas.
       Com este  forte  impulso  para  superar   os  limites   do seu  corpo  frágil,  cujas  medidas eram  as  curtas  passadas  de seus  pés; passou  do cavalo  à charrete,  da  charrete ao  automóvel,  do  automóvel  ao  avião. E  querendo   mais   velocidade   para   aproveitar   o  tempo,  criou  o  motor  a  vapor,   depois   o   motor  à  explosão. Abandonou  o barco  a  remo  para  aproveitar  a velocidade  do barco  a  vapor,   largou   o vapor  para o  óleo  Diesel. Criou  o  telégrafo,   o  telefone,   o computador  e por  aí  afora.
       A  princípio,  tudo  leva  a crer  que  esta  busca pelo  progresso,  representou  uma  grande   economia  da  energia  humana,  pois  o   automóvel  vai  com     mais   rapidez  e  conforto  aonde  se quer  chegar. Então é muitíssimo  melhor viajar  de automóvel  do  que  a  cavalo. Aliás,  querendo  ir  mais  depressa  basta  tomar  um  avião. Ou ficar em  casa  e comunicar-se pelo telefone ou pela Internet. Bem... pelo visto,   este  mundo  de   máquinas  e  equipamentos   velozes   traz  enormes  benefícios.
        Infelizmente,  tudo  dependeu  de como  a civilização  resolveu   aproveitar  o  conforto,  a  economia  de  tempo  e  o  encurtamento  das distâncias. Provavelmente,  o   mais   sábio  seria  aproveitar  o tempo que  sobra  daquela  rápida   locomoção  de uma  América  a outra,  para  divertir-se,  cuidar  da  saúde ou  permanecer  com  a  família  ou  com  os  amigos. Um  lama  do Tibete, talvez   respondesse  que  sim, que  as  máquinas  são  utilíssimas e  que os  homens  deveriam  mesmo usá-las  e  aproveitar  a  economia  de tempo para  cuidar  do  espírito,  da saúde,  da  paz, da  fraternidade etc.
         Mas 99,99%   da   humanidade  não  vai  para  o Tibete. A  humanidade   até   que  interessa-se por  questões  espirituais.Mas o que tem feito  as  pessoas  levantarem-se  cedo da  cama,   vestirem  o  paletó,  engolirem  o  café,  pegarem  o  automóvel  e  saírem  em  disparada,  não  é o cultivo  da paz  nem  da  tranqüilidade  de espírito.  O que  de  fato, movimenta  a humanidade, é a tendência para  produzir,  ganhar ou  conquistar  coisas  materiais.
          Qual  a  relação  entre  máquinas  e  monges? É que a  humanidade  não  escolheu  pautar-se  pela opinião  dos  monges,  (talvez porque não possa, talvez porque não queira.E isto é outra história).O que  fazemos  todos  os dias é produzir  segundo  a  orientação  de  poderes que, diferentemente  da   proposta  dos   monges,  estimulam  o funcionamento  ininterrupto  de  uma   enorme  rede  de  transações,  negócios,   atividades,   interações  que   envolvem   atitudes  e  ações  totalmente  voltadas   para   aspectos   materiais  da  vida.
       
      

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