Houve um momento, na trajetória da humanidade em que não havia eletricidade, motores, máquinas ou automação. A velocidade dos acontecimentos correspondiam quase que exatamente à velocidade com que o ser humano agia e locomovia-se. É claro que a vida era lenta; por exemplo, não se podia realizar grandes viagens ( os veículos que podiam atravessar grandes espaços eram raros, e muito poucas pessoas possuíam-nos). No dia-a-dia somente pequenas viagens eram possíveis. Se alguém quisesse fazer uma longa viagem, podia sim, mas teria que contentar-se com a velocidade e o ritmo que os meios de locomoção propiciavam. Estes veículos ofereciam pouco mais que a própria capacidade do corpo humano em locomover-se. Mas o homem, na sua inquietude, não se conformou muito em manter-se dentro destes limites. Deste modo, começou a tentar cada vez mais encontrar recursos que superassem suas humanas capacidades, que mostravam-se muito lentas para cumprir todas as realizações desejadas.
Com este forte impulso para superar os limites do seu corpo frágil, cujas medidas eram as curtas passadas de seus pés; passou do cavalo à charrete, da charrete ao automóvel, do automóvel ao avião. E querendo mais velocidade para aproveitar o tempo, criou o motor a vapor, depois o motor à explosão. Abandonou o barco a remo para aproveitar a velocidade do barco a vapor, largou o vapor para o óleo Diesel. Criou o telégrafo, o telefone, o computador e por aí afora.
A princípio, tudo leva a crer que esta busca pelo progresso, representou uma grande economia da energia humana, pois o automóvel vai com mais rapidez e conforto aonde se quer chegar. Então é muitíssimo melhor viajar de automóvel do que a cavalo. Aliás, querendo ir mais depressa basta tomar um avião. Ou ficar em casa e comunicar-se pelo telefone ou pela Internet. Bem... pelo visto, este mundo de máquinas e equipamentos velozes traz enormes benefícios.
Infelizmente, tudo dependeu de como a civilização resolveu aproveitar o conforto, a economia de tempo e o encurtamento das distâncias. Provavelmente, o mais sábio seria aproveitar o tempo que sobra daquela rápida locomoção de uma América a outra, para divertir-se, cuidar da saúde ou permanecer com a família ou com os amigos. Um lama do Tibete, talvez respondesse que sim, que as máquinas são utilíssimas e que os homens deveriam mesmo usá-las e aproveitar a economia de tempo para cuidar do espírito, da saúde, da paz, da fraternidade etc.
Mas 99,99% da humanidade não vai para o Tibete. A humanidade até que interessa-se por questões espirituais.Mas o que tem feito as pessoas levantarem-se cedo da cama, vestirem o paletó, engolirem o café, pegarem o automóvel e saírem em disparada, não é o cultivo da paz nem da tranqüilidade de espírito. O que de fato, movimenta a humanidade, é a tendência para produzir, ganhar ou conquistar coisas materiais.
Qual a relação entre máquinas e monges? É que a humanidade não escolheu pautar-se pela opinião dos monges, (talvez porque não possa, talvez porque não queira.E isto é outra história).O que fazemos todos os dias é produzir segundo a orientação de poderes que, diferentemente da proposta dos monges, estimulam o funcionamento ininterrupto de uma enorme rede de transações, negócios, atividades, interações que envolvem atitudes e ações totalmente voltadas para aspectos materiais da vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário