A conceituação de estresse visou descaracterizá-lo como uma manifestação patológica, frisando que, muito ao contrário, ele é simplesmente uma reação primordial do organismo voltada para a sobrevivência. O que pode parecer contraditório é como esta reação natural, necessária e dotada de grande funcionalidade, termina por tornar-se problemática em determinadas situações. Por quê, no contexto da vida moderna, este pronto mecanismo de defesa, é fonte de transtornos e doenças para o organismo?
Para isso, é muito útil conhecer o fenômeno que Susan Andrews, em seu livro "Estresse a seu favor" denominou de resposta Neanderthal:
"Se não fosse pelo estresse, não haveria ser humano __ ou mesmo algumas outras criaturas __ neste planeta.
Imaginemos uma zebra diante de um leão faminto. Os rugidos do leão assustam-na e desesperam-na. O leão está prestes a pular sobre ela. Ela está bastante estressada. Instantânea e instintivamente seu corpo fica pronto para lutar ou fugir.__Nesse caso, fugir.
Assim opera o estresse, com o animal ou o ser humano. O cérebro ativa o sistema nervoso simpático que, por sua vez, ativa as glândulas supra-renais. A adrenalina, hormônio do estresse é secretada no sangue para colocar o corpo em marcha. Em 2,5 segundos, o corpo passa por 1400 reações físico-químicas que fazem de nós um super-humano.
O coração começa a bater mais rapidamente e os pulmões também respiram aceleradamente para fornecer mais oxigênio ao corpo. O fígado usa o glicogênio acumulado nas reservas do organismo e o transforma em poderosa glicose para propiciar energia instantânea (a adrenalina é tão poderosa que apenas uma de suas moléculas converte 100 milhões de moléculas de oxigênio em açúcar!).
No caso do perigo persistir e a pessoa precisar de mais energia ainda, as supra-renais secretam um outro hormônio do estresse, o cortisol, e seu fígado começa a mobilizar suas reservas de gordura para criar mais um combustível. O cérebro trabalha numa enorme velocidade para que a pessoa possa descobrir o que fazer nesta emergência. Os músculos contraem-se formando uma couraça, para proteger o indivíduo contra os ferimentos. O sistema imunológico é colocado em alerta para que não haja inflamação no caso de ferimento."
A resposta do estresse é perfeita para as necessidades de um animal selvagem. Rápida e eficaz funcionou muito bem para ajudar a zebra a manter-se viva. Para nós seres humanos, funciona muito bem quando estamos em plena travessia de uma rua e ouvimos o som de uma buzina. Os músculos ficam tensos, o coração e a respiração aceleram, e numa explosão de energia super-humana, damos um salto para trás enquanto o automóvel passa rente ao corpo.
Desfrutando dos aprimoramentos de que a espécie nos legou, somos receptores dos cuidados da mãe evolução, e nem sempre cultivamos o hábito de ajudar. Afinal se as funções autônomas fazem tão bem o seu trabalho, por que iríamos nós interferir? De fato, os instintos
são muito eficientes e nem de longe questionamos isto. Devemos nos curvar ao fato de que não interferimos mesmo, e mais humildemente ainda, passarmos a conhecer, interagir, respeitar e apoiar. Nossa displicência em relação às funções instintivas tem um preço. Podemos pagar caro por agirmos sistematicamente em desacordo com as necessidades de nossa natureza integral.
Nenhum comentário:
Postar um comentário