quarta-feira, 11 de maio de 2011

O estresse não é uma patologia

         A   conceituação  de  estresse  visou  descaracterizá-lo como uma  manifestação  patológica,  frisando  que,  muito  ao   contrário,  ele  é  simplesmente  uma   reação  primordial  do  organismo voltada  para  a   sobrevivência.  O  que  pode  parecer  contraditório  é  como   esta  reação  natural, necessária   e   dotada    de  grande  funcionalidade,  termina  por  tornar-se   problemática em  determinadas  situações. Por  quê,  no  contexto  da  vida  moderna,  este  pronto    mecanismo  de  defesa, é  fonte  de   transtornos    e   doenças  para   o  organismo?
          Para  isso,  é muito  útil  conhecer  o fenômeno   que  Susan Andrews,  em  seu  livro   "Estresse  a  seu  favor"  denominou  de  resposta  Neanderthal:

          "Se  não  fosse   pelo  estresse,  não  haveria  ser  humano __  ou   mesmo  algumas  outras  criaturas  __  neste  planeta.
           Imaginemos uma  zebra  diante  de  um  leão faminto. Os  rugidos  do  leão  assustam-na e  desesperam-na. O  leão  está  prestes  a  pular  sobre  ela.  Ela   está  bastante  estressada. Instantânea  e  instintivamente  seu  corpo  fica  pronto  para  lutar  ou  fugir.__Nesse caso, fugir.
           Assim  opera  o  estresse,  com  o  animal  ou  o  ser  humano. O   cérebro  ativa  o   sistema  nervoso  simpático  que,   por  sua  vez,   ativa  as  glândulas    supra-renais.  A  adrenalina,  hormônio  do  estresse    é   secretada   no  sangue  para   colocar   o  corpo   em   marcha.  Em  2,5  segundos,    o  corpo   passa  por   1400  reações  físico-químicas   que  fazem  de  nós  um  super-humano.
            O coração  começa   a  bater   mais   rapidamente  e   os  pulmões  também  respiram   aceleradamente  para  fornecer   mais    oxigênio  ao   corpo. O  fígado  usa   o  glicogênio  acumulado  nas  reservas   do  organismo  e   o   transforma   em  poderosa   glicose  para  propiciar  energia  instantânea (a adrenalina  é tão poderosa  que  apenas uma  de  suas  moléculas  converte  100  milhões  de moléculas  de  oxigênio   em  açúcar!).
             No caso  do  perigo  persistir  e a  pessoa  precisar  de  mais  energia  ainda,  as  supra-renais secretam  um outro hormônio  do  estresse,  o  cortisol,  e  seu  fígado começa  a  mobilizar  suas  reservas  de  gordura  para  criar  mais  um  combustível. O cérebro  trabalha  numa enorme  velocidade   para  que  a   pessoa  possa  descobrir  o  que  fazer   nesta   emergência. Os   músculos  contraem-se   formando  uma  couraça,  para  proteger  o  indivíduo  contra  os  ferimentos. O  sistema  imunológico    é   colocado  em  alerta  para  que  não  haja   inflamação   no  caso  de  ferimento."
            
 A resposta  do  estresse   é  perfeita  para  as  necessidades  de  um  animal  selvagem. Rápida e eficaz  funcionou   muito  bem  para  ajudar   a  zebra  a  manter-se  viva.  Para nós seres  humanos, funciona   muito   bem   quando  estamos  em   plena   travessia   de  uma  rua   e  ouvimos   o    som  de  uma  buzina. Os  músculos  ficam  tensos,  o coração  e  a  respiração  aceleram, e numa  explosão  de energia  super-humana,  damos  um  salto  para  trás  enquanto  o  automóvel  passa  rente  ao  corpo. 
             Desfrutando dos  aprimoramentos  de que a  espécie  nos  legou, somos  receptores  dos  cuidados da mãe  evolução, e nem  sempre cultivamos  o   hábito de   ajudar.  Afinal se as funções autônomas fazem tão bem  o seu   trabalho,  por que   iríamos nós interferir?  De fato,  os  instintos 
são muito  eficientes   e  nem  de longe  questionamos  isto.  Devemos nos curvar ao  fato  de que não interferimos mesmo, e mais  humildemente  ainda, passarmos  a conhecer,  interagir, respeitar  e apoiar. Nossa  displicência  em relação às  funções  instintivas  tem  um preço. Podemos pagar caro  por  agirmos  sistematicamente   em  desacordo  com   as  necessidades  de  nossa  natureza  integral.

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