Um dos agravantes do estresse no trabalho é a limitação a qual a sociedade submete as pessoas quanto à manifestação de suas angústias, frustrações e emoções. Por causa das normas e regras sociais as pessoas acabam ficando prisioneiras do correto, obrigadas a aparentar um comportamento emocional incongruente com seus reais sentimentos de agressão ou de medo.
No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Pode-se experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo. Da insatisfação salarial e, dependendo da pessoa, até com o toque do telefone. A desorganização no ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras, normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como o trabalho nos ambientes insalubres e na falta de ferramentas adequadas.
Fatores intrapsíquicos relacionados ao serviço também contribuem para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no emprego, de insuficiência profissional, pressão para a comprovação de eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais. Isso tudo sem contar com fatores internos que a pessoa traz consigo para o emprego, tais como: seus conflitos, suas frustrações, suas dificuldades de relacionamento.
A sobrecarga de estímulos estressores é um estado no qual as exigências do ambiente excedem a capacidade de adaptação das pessoas. Os quatro fatores principais que contribuem para a demanda excessiva de agentes estressores no trabalho são:
1-urgência de tempo
2-responsabilidade excessiva
3-falta de apoio
4-expectativas excessivas da própria pessoa e daqueles que cercam-na
A tentativa inicial é de compreender o estresse sob o ponto de vista fisiológico: sua origem nos estímulos exteriores e alterações que estes provocam no organismo. Feito isso, a pesquisa abraça mais três itens significativos no que toca à prevenção do estresse: Identificar algumas possíveis causas sociais ou profissionais do estresse. Mostrar o que acontece a uma pessoa submetida continuamente a estímulos estressores. Fazer um balanceamento entre tipos de benefícios ou malefícios que poderiam atingir pessoas cujas profissões apresentam abundantes fatores de estresse.
Partindo-se do princípio que uma exposição mínima ao fatores de estresse faz-se necessária para que o ser humano sinta-se impelido a produzir mais e melhor, o estresse não é de todo indesejável. A proposta do trabalho é refletir até que ponto estes desafios são aconselháveis e podem ser suportados sem prejuízo da saúde do professor e sem interferir negativamente na qualidade do seu trabalho.
O exercício do magistério exige do professor um grande investimento emocional, e até uma dose considerável de sacrifício, uma vez que impõe-lhe numerosas dificuldades. Uma das dificuldades primordiais com que se depara o professor, é a necessidade de trabalhar com classes numerosas ( mais ou menos 40 alunos). O número excessivos de alunos, pode tornar-se problemático à medida em que multiplica as situações de interações pessoais e de tarefas pedagógicas atribuídas ao docente. Além do que, remete às questões disciplinares que surgem comumente em sala de aula. Tudo indica que fenômenos graves e desestruturadores que acontecem na esfera social, repercutem como desequilíbrio na formação do indivíduo. A sala
de aula representa uma caixa de ressonância que responde com bastante fidelidade às oscilações e desequilíbrios provenientes do complicado contexto social no qual ela situa-se. É notável o quanto de jovens que chegam até ali apresentando comportamentos anti-sociais e agressivos, que talvez sejam produtos de uma socialização confusa e desagregadora do convívio humano no que ele tem de mais agradável e gratificante; a solidariedade, o reconforto e a revivificação
provenientes do contato harmonioso com o outro. Estes jovens, muitas vezes, transmitem a impressão de não confiarem ou não acreditarem que a escola terá um papel positivo em suas vidas.
São abundantes os problemas disciplinares como tentativas de tumultuar o ambiente da sala, falta de engajamento nas atividades que estão sendo propostas ou desenvolvidas, desinteresse pelo conteúdo que está sendo posto em estudo, uso excessivo de palavras de baixo calão, estudantes que exercem liderança negativa sobre outros.
Uma outra dificuldade, também bastante costumeira, é o trabalho com turmas que apresentam um grau considerável de heterogeneidade, o que dificulta a escolha de atividades que satisfaçam e aproveitem o potencial de todos os alunos simultaneamente.
É interessante, com relação às frustrações do trabalho docente, as reflexões de Francisco de Paula Nunes Sobrinho, expressas nos conceitos de "trabalho prescrito" e "trabalho real". A despeito de seu direcionamento e preocupação para organizar o trabalho e garantir que ele seja operante e produtivo, o "trabalho prescrito" é carente de um foco que contemple a necessidade, profundamente humana, de auferir gratificação no que é realizado como trabalho.
Por trabalho real Francisco de Paula Nunes Sobrinho, entende o somatório de valores e práticas, que promoveriam para o agente do trabalho, a presença de reforços positivos de sua ação sobre o mundo.
Vejamos o ponto de vista de Francisco de Paula N. Sobrinho no seu artigo intitulado "Dissociação entre o trabalho pedagógico prescrito e o trabalho pedagógico real" (constante no livro o estresse do professor, organizado por Marilda E. N. Lipp)
"Os efeitos negativos produzidos pela dissociação entre o trabalho prescrito e o trabalho real sobre a saúde e a qualidade de vida no trabalho têm sido um dos temas que mais desafiam os ergonomistas na atualidade. No mundo do trabalho, o trabalho prescrito é caracterizado pelas regras de convivência socioprofissionais, pelas responsabilidades e competências atribuídas ao trabalhador, pelas exigências e pré-requisitos nas operações de trabalho, pela legislação e pelas normas regulamentadoras, pela ética profissional, pelas regras de segurança, pela regulamentação de tempos, pela execução de tarefas específicas, pelo detalhamento de tarefas, dentre outras.
O prazer em executar o trabalho docente tem como determinante o reconhecimento por parte dos colegas, o sentimento de aceitação e de admiração pela direção da escola, o reconhecimento dos pais e dos alunos, o sentimento de que o trabalho cumpre uma função social, reduzindo as desigualdades sociais e evitando a exclusão do contigente escolar, além de proporcionar liberdade de expressão. A esse conjunto de eventos altamente gratificantes da profissão de professor, os estudiosos chamam de trabalho real.
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