domingo, 8 de maio de 2011

Introdução I

         Um dos agravantes  do estresse no trabalho é a limitação a qual  a  sociedade  submete as pessoas  quanto à manifestação de suas  angústias,   frustrações  e  emoções. Por  causa  das normas  e  regras  sociais  as  pessoas  acabam   ficando  prisioneiras do correto,   obrigadas a aparentar  um comportamento  emocional   incongruente com  seus  reais  sentimentos  de agressão ou de medo.
         No ambiente  de trabalho os estímulos  estressores são muitos. Pode-se  experimentar  ansiedade  significativa (reação de alarme) diante  de desentendimentos  com  colegas,  diante  da  sobrecarga e da corrida  contra  o  tempo. Da insatisfação salarial e,   dependendo  da   pessoa,  até com o  toque do  telefone. A desorganização no ambiente  ocupacional  põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente  as   condições  pioram  quando não há clareza nas  regras, normas e nas  tarefas  que deve  desempenhar  cada  um  dos  trabalhadores,  assim  como o trabalho nos   ambientes  insalubres  e na falta  de ferramentas  adequadas.
          Fatores   intrapsíquicos  relacionados  ao  serviço  também  contribuem   para  a  pessoa  manter-se  estressada,  como  é  o  caso  da  sensação  de  insegurança  no  emprego,  de  insuficiência  profissional,  pressão  para  a  comprovação  de  eficiência  ou,  até  mesmo,  a  impressão continuada de estar  cometendo  erros  profissionais. Isso  tudo  sem  contar  com  fatores  internos  que a  pessoa traz   consigo para  o  emprego,  tais como: seus  conflitos,  suas  frustrações,  suas  dificuldades  de relacionamento.
          A sobrecarga  de  estímulos  estressores  é  um estado  no qual as  exigências  do  ambiente  excedem  a  capacidade   de  adaptação das  pessoas.  Os  quatro  fatores  principais  que  contribuem  para  a  demanda  excessiva  de agentes  estressores  no trabalho são:

1-urgência  de tempo
2-responsabilidade excessiva
3-falta de apoio
4-expectativas  excessivas  da  própria   pessoa  e  daqueles  que  cercam-na

          A tentativa  inicial  é de  compreender  o estresse  sob  o ponto de vista  fisiológico: sua origem  nos  estímulos   exteriores  e  alterações  que  estes   provocam  no  organismo.  Feito isso, a pesquisa abraça mais  três itens  significativos  no  que  toca  à  prevenção  do  estresse: Identificar  algumas possíveis  causas  sociais ou  profissionais  do  estresse.  Mostrar  o  que  acontece  a   uma  pessoa submetida  continuamente  a  estímulos  estressores.  Fazer um  balanceamento entre  tipos  de benefícios ou  malefícios  que poderiam   atingir  pessoas   cujas   profissões  apresentam   abundantes  fatores  de  estresse.
           Partindo-se  do  princípio  que  uma   exposição  mínima  ao  fatores  de   estresse  faz-se necessária  para   que  o  ser   humano   sinta-se  impelido  a  produzir  mais  e melhor,  o estresse  não é de todo  indesejável.  A  proposta  do  trabalho  é  refletir  até  que  ponto  estes  desafios  são  aconselháveis  e  podem   ser   suportados  sem   prejuízo  da  saúde  do  professor  e  sem  interferir  negativamente  na  qualidade  do  seu  trabalho.
           O exercício do magistério  exige  do  professor  um   grande   investimento   emocional,  e  até  uma  dose    considerável   de   sacrifício,  uma  vez   que  impõe-lhe   numerosas   dificuldades. Uma das dificuldades primordiais  com que  se  depara  o  professor, é a  necessidade  de  trabalhar  com  classes  numerosas ( mais  ou menos  40 alunos). O número  excessivos  de alunos,  pode  tornar-se  problemático à   medida  em  que  multiplica  as  situações   de   interações   pessoais  e  de  tarefas  pedagógicas  atribuídas   ao   docente. Além do que,  remete  às  questões   disciplinares  que   surgem  comumente  em  sala  de aula.  Tudo indica que  fenômenos  graves e   desestruturadores  que  acontecem  na   esfera  social, repercutem   como  desequilíbrio na formação do indivíduo. A sala
  de aula representa  uma  caixa  de ressonância que  responde  com bastante fidelidade  às  oscilações  e  desequilíbrios  provenientes  do   complicado  contexto  social  no  qual  ela  situa-se. É notável  o  quanto   de  jovens que  chegam  até ali  apresentando  comportamentos  anti-sociais  e  agressivos, que  talvez  sejam  produtos  de uma socialização  confusa   e   desagregadora   do  convívio  humano no que  ele tem  de  mais  agradável  e  gratificante; a solidariedade, o reconforto  e a  revivificação
provenientes  do  contato  harmonioso  com  o  outro. Estes  jovens,  muitas  vezes,   transmitem a  impressão  de não confiarem  ou não acreditarem  que  a  escola  terá   um  papel  positivo  em suas  vidas.
      São abundantes  os   problemas  disciplinares  como  tentativas de tumultuar  o ambiente  da  sala, falta  de  engajamento  nas  atividades  que estão  sendo  propostas  ou  desenvolvidas, desinteresse pelo  conteúdo  que  está  sendo  posto  em   estudo,  uso  excessivo  de    palavras  de  baixo  calão, estudantes  que  exercem  liderança negativa  sobre outros.
      Uma outra  dificuldade,  também  bastante costumeira, é o trabalho  com  turmas que apresentam um  grau  considerável  de  heterogeneidade,  o  que  dificulta  a  escolha  de  atividades  que  satisfaçam  e  aproveitem  o  potencial  de  todos  os  alunos  simultaneamente.
      É interessante, com relação  às  frustrações  do  trabalho  docente,  as  reflexões de  Francisco de Paula Nunes Sobrinho, expressas nos  conceitos  de  "trabalho  prescrito"   e   "trabalho  real". A despeito de seu  direcionamento  e   preocupação  para  organizar  o trabalho  e  garantir  que  ele seja operante  e  produtivo,  o  "trabalho prescrito"  é  carente  de  um  foco  que  contemple  a  necessidade,  profundamente  humana,  de  auferir  gratificação  no   que  é  realizado   como  trabalho.
       Por  trabalho  real  Francisco  de  Paula  Nunes  Sobrinho,  entende   o  somatório  de valores  e  práticas, que   promoveriam  para  o  agente  do  trabalho,  a   presença  de  reforços   positivos  de  sua  ação  sobre  o mundo.
       Vejamos  o ponto de  vista  de   Francisco  de   Paula   N.  Sobrinho    no  seu  artigo  intitulado  "Dissociação entre  o  trabalho   pedagógico  prescrito  e  o  trabalho   pedagógico  real" (constante  no livro  o estresse  do professor, organizado por  Marilda E. N. Lipp)
       "Os  efeitos  negativos  produzidos pela  dissociação  entre o trabalho  prescrito e o trabalho real  sobre  a  saúde  e  a  qualidade de  vida  no  trabalho têm  sido  um  dos temas  que  mais  desafiam  os  ergonomistas  na   atualidade. No mundo  do trabalho, o  trabalho  prescrito é caracterizado pelas  regras  de  convivência   socioprofissionais,  pelas  responsabilidades  e  competências   atribuídas  ao  trabalhador,  pelas  exigências  e   pré-requisitos  nas  operações  de  trabalho,  pela  legislação  e  pelas  normas  regulamentadoras,   pela   ética  profissional,  pelas  regras de segurança,  pela  regulamentação  de  tempos,   pela  execução  de tarefas  específicas,  pelo  detalhamento   de  tarefas,  dentre  outras.
        O  prazer  em  executar   o  trabalho   docente  tem  como  determinante  o  reconhecimento   por  parte  dos   colegas,  o  sentimento  de  aceitação  e de admiração  pela  direção da  escola,  o reconhecimento  dos  pais  e  dos  alunos,   o   sentimento  de  que  o trabalho  cumpre uma  função  social,  reduzindo  as  desigualdades  sociais  e  evitando   a  exclusão  do  contigente  escolar, além   de  proporcionar  liberdade  de  expressão.  A esse  conjunto  de  eventos  altamente  gratificantes da  profissão de  professor,  os  estudiosos  chamam  de  trabalho real.

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