De modo que tudo segue a direção pré-determinada. A instrução é fazer, realizar e produzir. Então, gastando apenas 30 minutos da casa ao trabalho, e no final do dia tendo a sobra de 1 hora, freqüenta-se umas aulas de estratégias de marketing. Porém, dias depois, uma instituição educacional inaugura um curso de marketing à distância. Como já é possível ir para a casa e não mais gastar 1 hora no curso de makerting; é só providenciar a matrícula do curso de inglês. A vida contemporânea impulsiona as pessoas a viverem freneticamente economizando tempo somente para preenchê-lo com outros afazeres e solicitações.
A automação nem sempre realiza os ideais de conforto que suscita. Agora, seres humanos vivem num mundo em que os fatos acontecem muito mais rapidamente do que a capacidade orgânica em absorver estímulos e lidar com eles. Atende-se o telefone celular enquanto se está dirigindo o automóvel. Quer dizer; pode-se tomar uma decisão significativa ao mesmo tempo em que se cuida para não chocar o carro contra o caminhão que vem à frente e abrir caminho para a ambulância que vem atrás.
Atente-se para o que diz Susan Andrews no livro "Stress a seu favor."
"Com grandes avanços na automação e informática imaginávamos que iríamos estar trabalhando cada vez menos e dispondo de um tempo maior para lazer, artes, natureza, família e vida espiritual. Ah! Quem dera! Estamos trabalhando cada vez mais, dispondo de menos tempo para o lazer e ficando mais estressados."
O patrão, chefe ou quem quer que pague a um funcionário vai exigir dele todo o seu empenho e capacidade, porque ainda que seja o patrão, ele também tem dívidas e é o trabalho que produz dinheiro, tanto o do salário do empregado, quanto aquele que vai pagar as dívidas da empresa.
A rede de apelos da sociedade já está gigantesca, desmesurada, torcida, retorcida e distorcida de tal maneira que as pessoas, sobrevivendo nas suas malhas, muito poucas alternativas têm a não ser cumprir as exigências de produzir mais e melhor. O habitante da civilização perdeu grande parte de seu direito à qualidade de vida, descanso e tranqüilidade; reduzido que foi à peça cuja função é produzir para robustecer as malhas da rede. Muito distante da paz do Tibete, sua vida é um conjunto de apelos e demandas à sua capacidade de trabalhar e sobreviver.
Diante disso, podemos afirmar que o trabalho é um dos setores da vida que mais gera estímulos estressores e que, sob as pressões do ambiente profissional, o organismo mobiliza amiúde a resposta Neanderthal.
Vejamos as conclusões de Susan Andrews:
"É o início da história humana, um milhão de anos atrás e o Homo Sapiens sai de sua caverna para o ver o sol nascer colorindo o horizonte. De repente ele ouve um ruído na floresta. Seus músculos tensionam-se, seu coração sente uma pancada, sua respiração torna-se mais rápida e assim ele se depara com um tigre dentes-de-sabre. Deveria ele lutar ou fugir? Ele abaixa-se, pega uma pedra pontuda e arremessa-a contra o tigre, o animal rosna, mas desaparece na floresta.
O homem sente seu corpo amolecer, sua respiração torna-se fácil. Ele retorna à sua caverna para descansar...
Um milhão de anos depois... é o início de outro dia de trabalho, e o Homo Sapiens sai de seu edifício para o barulho da "hora do rush", momento de maior tráfego nas ruas. Ele abre seu caminho através da multidão e chega na esquina bem a tempo de ver seu ônibus partir. Atrasado para o trabalho, abre a porta do escritório e encontra seu chefe caminhando de um lado para o outro. O chefe grita: "Seu relatório foi prometido para uma hora atrás. E o cliente está furioso! Se quiser manter seu emprego, você deve ter uma boa explicação! E aliás, pode esquecer suas férias neste verão!"
O homem olha para um peso de papéis sobre a mesa sentindo ímpeto de arremessá-lo no seu opressor! Em vez disso senta-se, com o estômago agitado, os músculos das costas tensos e a pressão arterial subindo. Ele procura um Valium na escrivaninha e o toma como uma aspirina. Mas não adianta. Sente-se péssimo....
Com o excesso de trabalho, conflitos interpessoais, problemas financeiros, doença ou morte na família, estamos reagindo aos desafios dos dias atuais com a resposta fisiológica de um homem de Neanderthal. Porém, diferentemente dos nossos ancestrais das cavernas, não podemos fugir dos nossos problemas, nem lutar fisicamente contra eles. Então, enfrentamos tensões contínuas contra as quais não podemos reagir com a atividade física.
O empregado que é constantemente criticado pelo seu chefe, o estudante sob contínua pressão por excessos de trabalhos escolares e provas, a dona-de-casa aflita, ouvindo repetidas reclamações do marido, todos mobilizam uma energia intensa: seus músculos ficam tensos, suas respirações tornam-se irregulares, seus corações aceleram-se.
Mas embora estejam preparados para uma explosão de atividade, não podem liberar sua tensão arremessando o cinzeiro sobre o chefe ou então sair correndo. Eles não queimam todos os açúcares e gorduras liberadas pelo fígado __não fazem uso de toda energia despertada numa atividade física vigorosa, para depois relaxar. Então, o que acontece?"
A situação descrita acima representa um conflito que precisa ser solucionado para que o estresse não perdure por um longo tempo gerando doenças de desequilíbrio no organismo.
sábado, 21 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
O estresse e a vida moderna I
Houve um momento, na trajetória da humanidade em que não havia eletricidade, motores, máquinas ou automação. A velocidade dos acontecimentos correspondiam quase que exatamente à velocidade com que o ser humano agia e locomovia-se. É claro que a vida era lenta; por exemplo, não se podia realizar grandes viagens ( os veículos que podiam atravessar grandes espaços eram raros, e muito poucas pessoas possuíam-nos). No dia-a-dia somente pequenas viagens eram possíveis. Se alguém quisesse fazer uma longa viagem, podia sim, mas teria que contentar-se com a velocidade e o ritmo que os meios de locomoção propiciavam. Estes veículos ofereciam pouco mais que a própria capacidade do corpo humano em locomover-se. Mas o homem, na sua inquietude, não se conformou muito em manter-se dentro destes limites. Deste modo, começou a tentar cada vez mais encontrar recursos que superassem suas humanas capacidades, que mostravam-se muito lentas para cumprir todas as realizações desejadas.
Com este forte impulso para superar os limites do seu corpo frágil, cujas medidas eram as curtas passadas de seus pés; passou do cavalo à charrete, da charrete ao automóvel, do automóvel ao avião. E querendo mais velocidade para aproveitar o tempo, criou o motor a vapor, depois o motor à explosão. Abandonou o barco a remo para aproveitar a velocidade do barco a vapor, largou o vapor para o óleo Diesel. Criou o telégrafo, o telefone, o computador e por aí afora.
A princípio, tudo leva a crer que esta busca pelo progresso, representou uma grande economia da energia humana, pois o automóvel vai com mais rapidez e conforto aonde se quer chegar. Então é muitíssimo melhor viajar de automóvel do que a cavalo. Aliás, querendo ir mais depressa basta tomar um avião. Ou ficar em casa e comunicar-se pelo telefone ou pela Internet. Bem... pelo visto, este mundo de máquinas e equipamentos velozes traz enormes benefícios.
Infelizmente, tudo dependeu de como a civilização resolveu aproveitar o conforto, a economia de tempo e o encurtamento das distâncias. Provavelmente, o mais sábio seria aproveitar o tempo que sobra daquela rápida locomoção de uma América a outra, para divertir-se, cuidar da saúde ou permanecer com a família ou com os amigos. Um lama do Tibete, talvez respondesse que sim, que as máquinas são utilíssimas e que os homens deveriam mesmo usá-las e aproveitar a economia de tempo para cuidar do espírito, da saúde, da paz, da fraternidade etc.
Mas 99,99% da humanidade não vai para o Tibete. A humanidade até que interessa-se por questões espirituais.Mas o que tem feito as pessoas levantarem-se cedo da cama, vestirem o paletó, engolirem o café, pegarem o automóvel e saírem em disparada, não é o cultivo da paz nem da tranqüilidade de espírito. O que de fato, movimenta a humanidade, é a tendência para produzir, ganhar ou conquistar coisas materiais.
Qual a relação entre máquinas e monges? É que a humanidade não escolheu pautar-se pela opinião dos monges, (talvez porque não possa, talvez porque não queira.E isto é outra história).O que fazemos todos os dias é produzir segundo a orientação de poderes que, diferentemente da proposta dos monges, estimulam o funcionamento ininterrupto de uma enorme rede de transações, negócios, atividades, interações que envolvem atitudes e ações totalmente voltadas para aspectos materiais da vida.
Com este forte impulso para superar os limites do seu corpo frágil, cujas medidas eram as curtas passadas de seus pés; passou do cavalo à charrete, da charrete ao automóvel, do automóvel ao avião. E querendo mais velocidade para aproveitar o tempo, criou o motor a vapor, depois o motor à explosão. Abandonou o barco a remo para aproveitar a velocidade do barco a vapor, largou o vapor para o óleo Diesel. Criou o telégrafo, o telefone, o computador e por aí afora.
A princípio, tudo leva a crer que esta busca pelo progresso, representou uma grande economia da energia humana, pois o automóvel vai com mais rapidez e conforto aonde se quer chegar. Então é muitíssimo melhor viajar de automóvel do que a cavalo. Aliás, querendo ir mais depressa basta tomar um avião. Ou ficar em casa e comunicar-se pelo telefone ou pela Internet. Bem... pelo visto, este mundo de máquinas e equipamentos velozes traz enormes benefícios.
Infelizmente, tudo dependeu de como a civilização resolveu aproveitar o conforto, a economia de tempo e o encurtamento das distâncias. Provavelmente, o mais sábio seria aproveitar o tempo que sobra daquela rápida locomoção de uma América a outra, para divertir-se, cuidar da saúde ou permanecer com a família ou com os amigos. Um lama do Tibete, talvez respondesse que sim, que as máquinas são utilíssimas e que os homens deveriam mesmo usá-las e aproveitar a economia de tempo para cuidar do espírito, da saúde, da paz, da fraternidade etc.
Mas 99,99% da humanidade não vai para o Tibete. A humanidade até que interessa-se por questões espirituais.Mas o que tem feito as pessoas levantarem-se cedo da cama, vestirem o paletó, engolirem o café, pegarem o automóvel e saírem em disparada, não é o cultivo da paz nem da tranqüilidade de espírito. O que de fato, movimenta a humanidade, é a tendência para produzir, ganhar ou conquistar coisas materiais.
Qual a relação entre máquinas e monges? É que a humanidade não escolheu pautar-se pela opinião dos monges, (talvez porque não possa, talvez porque não queira.E isto é outra história).O que fazemos todos os dias é produzir segundo a orientação de poderes que, diferentemente da proposta dos monges, estimulam o funcionamento ininterrupto de uma enorme rede de transações, negócios, atividades, interações que envolvem atitudes e ações totalmente voltadas para aspectos materiais da vida.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
O estresse não é uma patologia
A conceituação de estresse visou descaracterizá-lo como uma manifestação patológica, frisando que, muito ao contrário, ele é simplesmente uma reação primordial do organismo voltada para a sobrevivência. O que pode parecer contraditório é como esta reação natural, necessária e dotada de grande funcionalidade, termina por tornar-se problemática em determinadas situações. Por quê, no contexto da vida moderna, este pronto mecanismo de defesa, é fonte de transtornos e doenças para o organismo?
Para isso, é muito útil conhecer o fenômeno que Susan Andrews, em seu livro "Estresse a seu favor" denominou de resposta Neanderthal:
"Se não fosse pelo estresse, não haveria ser humano __ ou mesmo algumas outras criaturas __ neste planeta.
Imaginemos uma zebra diante de um leão faminto. Os rugidos do leão assustam-na e desesperam-na. O leão está prestes a pular sobre ela. Ela está bastante estressada. Instantânea e instintivamente seu corpo fica pronto para lutar ou fugir.__Nesse caso, fugir.
Assim opera o estresse, com o animal ou o ser humano. O cérebro ativa o sistema nervoso simpático que, por sua vez, ativa as glândulas supra-renais. A adrenalina, hormônio do estresse é secretada no sangue para colocar o corpo em marcha. Em 2,5 segundos, o corpo passa por 1400 reações físico-químicas que fazem de nós um super-humano.
O coração começa a bater mais rapidamente e os pulmões também respiram aceleradamente para fornecer mais oxigênio ao corpo. O fígado usa o glicogênio acumulado nas reservas do organismo e o transforma em poderosa glicose para propiciar energia instantânea (a adrenalina é tão poderosa que apenas uma de suas moléculas converte 100 milhões de moléculas de oxigênio em açúcar!).
No caso do perigo persistir e a pessoa precisar de mais energia ainda, as supra-renais secretam um outro hormônio do estresse, o cortisol, e seu fígado começa a mobilizar suas reservas de gordura para criar mais um combustível. O cérebro trabalha numa enorme velocidade para que a pessoa possa descobrir o que fazer nesta emergência. Os músculos contraem-se formando uma couraça, para proteger o indivíduo contra os ferimentos. O sistema imunológico é colocado em alerta para que não haja inflamação no caso de ferimento."
A resposta do estresse é perfeita para as necessidades de um animal selvagem. Rápida e eficaz funcionou muito bem para ajudar a zebra a manter-se viva. Para nós seres humanos, funciona muito bem quando estamos em plena travessia de uma rua e ouvimos o som de uma buzina. Os músculos ficam tensos, o coração e a respiração aceleram, e numa explosão de energia super-humana, damos um salto para trás enquanto o automóvel passa rente ao corpo.
Desfrutando dos aprimoramentos de que a espécie nos legou, somos receptores dos cuidados da mãe evolução, e nem sempre cultivamos o hábito de ajudar. Afinal se as funções autônomas fazem tão bem o seu trabalho, por que iríamos nós interferir? De fato, os instintos
são muito eficientes e nem de longe questionamos isto. Devemos nos curvar ao fato de que não interferimos mesmo, e mais humildemente ainda, passarmos a conhecer, interagir, respeitar e apoiar. Nossa displicência em relação às funções instintivas tem um preço. Podemos pagar caro por agirmos sistematicamente em desacordo com as necessidades de nossa natureza integral.
Para isso, é muito útil conhecer o fenômeno que Susan Andrews, em seu livro "Estresse a seu favor" denominou de resposta Neanderthal:
"Se não fosse pelo estresse, não haveria ser humano __ ou mesmo algumas outras criaturas __ neste planeta.
Imaginemos uma zebra diante de um leão faminto. Os rugidos do leão assustam-na e desesperam-na. O leão está prestes a pular sobre ela. Ela está bastante estressada. Instantânea e instintivamente seu corpo fica pronto para lutar ou fugir.__Nesse caso, fugir.
Assim opera o estresse, com o animal ou o ser humano. O cérebro ativa o sistema nervoso simpático que, por sua vez, ativa as glândulas supra-renais. A adrenalina, hormônio do estresse é secretada no sangue para colocar o corpo em marcha. Em 2,5 segundos, o corpo passa por 1400 reações físico-químicas que fazem de nós um super-humano.
O coração começa a bater mais rapidamente e os pulmões também respiram aceleradamente para fornecer mais oxigênio ao corpo. O fígado usa o glicogênio acumulado nas reservas do organismo e o transforma em poderosa glicose para propiciar energia instantânea (a adrenalina é tão poderosa que apenas uma de suas moléculas converte 100 milhões de moléculas de oxigênio em açúcar!).
No caso do perigo persistir e a pessoa precisar de mais energia ainda, as supra-renais secretam um outro hormônio do estresse, o cortisol, e seu fígado começa a mobilizar suas reservas de gordura para criar mais um combustível. O cérebro trabalha numa enorme velocidade para que a pessoa possa descobrir o que fazer nesta emergência. Os músculos contraem-se formando uma couraça, para proteger o indivíduo contra os ferimentos. O sistema imunológico é colocado em alerta para que não haja inflamação no caso de ferimento."
A resposta do estresse é perfeita para as necessidades de um animal selvagem. Rápida e eficaz funcionou muito bem para ajudar a zebra a manter-se viva. Para nós seres humanos, funciona muito bem quando estamos em plena travessia de uma rua e ouvimos o som de uma buzina. Os músculos ficam tensos, o coração e a respiração aceleram, e numa explosão de energia super-humana, damos um salto para trás enquanto o automóvel passa rente ao corpo.
Desfrutando dos aprimoramentos de que a espécie nos legou, somos receptores dos cuidados da mãe evolução, e nem sempre cultivamos o hábito de ajudar. Afinal se as funções autônomas fazem tão bem o seu trabalho, por que iríamos nós interferir? De fato, os instintos
são muito eficientes e nem de longe questionamos isto. Devemos nos curvar ao fato de que não interferimos mesmo, e mais humildemente ainda, passarmos a conhecer, interagir, respeitar e apoiar. Nossa displicência em relação às funções instintivas tem um preço. Podemos pagar caro por agirmos sistematicamente em desacordo com as necessidades de nossa natureza integral.
terça-feira, 10 de maio de 2011
O que é o estresse II
A síndrome do estresse biológico, denominada por Selye de Síndrome de Adaptação Geral (SAG), apresenta três estágios: reação de alarme, fase de resistência e fase de esgotamento. Comparativamente aos ciclos da vida, temos a infância ( pouca resistência e reações excessivas) como a fase de alarme; já a idade adulta (elevada capacidade de resistir) associa-se à fase de resistência; e a velhice ( perda das capacidades) representaria a fase de esgotamento.
Na reação de alarme, ocorre a mudança característica do organismo em resposta ao estímulo: sob estresse há liberação de adrenalina, que é uma substância vasoconstritora, provocando uma redução no diâmetro dos vasos coronários. Há liberação de aldosterona, hormônio que diminui a diurese aumentando o volume interno de líquido, o que provoca o aumento do número de plaquetas no sangue ( hemoconcentração). Paralelamente, sob estresse o organismo libera corticóide ( cortisol e hidrocortisona) que estimulam a glicogênese (catabolismo) produzindo um estado de hiperglicemia. A glicose metabolizada fornece energia. Se o estímulo estressor for intenso, ele representará uma ameaça à vida, podendo levar à morte.
O estágio de resistência surge quando a ação do estressor é prolongada, exigindo uma adaptação do organismo. Contrariamente ao que acontece na reação de alarme, há uma rarefação do sangue (diluição-sedimentação) e anabolismo com retorno para a glicemia normal. Outras reações vão ocorrendo no organismo, se o estresse persiste.
No cérebro há um conjunto de estruturas chamadas de sistema límbico, que é o responsável pela regência da vida emocional, do pensamento, da vontade e das ações. O sistema límbico integrado com o hipotálamo irá reger o sistema nervoso autônomo, o sistema imunológico e o sistema neuroendócrino.
O estágio de esgotamento desenvolve-se quando a ação do estressor, ao qual o organismo se adaptou, permanece por um período longo, esgotando a energia de adaptação. O organismo é atingido no plano biológico ou físico e no plano psicológico ou emocional. Cada indivíduo tem propensão para adoecer de acordo com o órgão-alvo de maior fragilidade, com a própria constituição e suas heranças genéticas.
O grau de desgaste do corpo diante de agentes estressores depende:
1. do efeito direto do agente estressante sobre o indivíduo.
2.de respostas internas que estimulam a defesa dos tecidos.
3.de respostas internas que estimulam a rendição dos tecidos, em virtude da inibição das defesas.
O equilíbrio ( homeostase) desses três fatores vai determinar a resistência, a adaptação e a falência em resposta ao estresse. Só a presença de estímulos estressores não provoca automaticamente o estado de estresse. O mesmo estressor pode provocar reações distintas em indivíduos diferentes. Há fatores condicionantes individuais: predisposição genética, idade, sexo e personalidade.
Na reação de alarme, ocorre a mudança característica do organismo em resposta ao estímulo: sob estresse há liberação de adrenalina, que é uma substância vasoconstritora, provocando uma redução no diâmetro dos vasos coronários. Há liberação de aldosterona, hormônio que diminui a diurese aumentando o volume interno de líquido, o que provoca o aumento do número de plaquetas no sangue ( hemoconcentração). Paralelamente, sob estresse o organismo libera corticóide ( cortisol e hidrocortisona) que estimulam a glicogênese (catabolismo) produzindo um estado de hiperglicemia. A glicose metabolizada fornece energia. Se o estímulo estressor for intenso, ele representará uma ameaça à vida, podendo levar à morte.
O estágio de resistência surge quando a ação do estressor é prolongada, exigindo uma adaptação do organismo. Contrariamente ao que acontece na reação de alarme, há uma rarefação do sangue (diluição-sedimentação) e anabolismo com retorno para a glicemia normal. Outras reações vão ocorrendo no organismo, se o estresse persiste.
No cérebro há um conjunto de estruturas chamadas de sistema límbico, que é o responsável pela regência da vida emocional, do pensamento, da vontade e das ações. O sistema límbico integrado com o hipotálamo irá reger o sistema nervoso autônomo, o sistema imunológico e o sistema neuroendócrino.
O estágio de esgotamento desenvolve-se quando a ação do estressor, ao qual o organismo se adaptou, permanece por um período longo, esgotando a energia de adaptação. O organismo é atingido no plano biológico ou físico e no plano psicológico ou emocional. Cada indivíduo tem propensão para adoecer de acordo com o órgão-alvo de maior fragilidade, com a própria constituição e suas heranças genéticas.
O grau de desgaste do corpo diante de agentes estressores depende:
1. do efeito direto do agente estressante sobre o indivíduo.
2.de respostas internas que estimulam a defesa dos tecidos.
3.de respostas internas que estimulam a rendição dos tecidos, em virtude da inibição das defesas.
O equilíbrio ( homeostase) desses três fatores vai determinar a resistência, a adaptação e a falência em resposta ao estresse. Só a presença de estímulos estressores não provoca automaticamente o estado de estresse. O mesmo estressor pode provocar reações distintas em indivíduos diferentes. Há fatores condicionantes individuais: predisposição genética, idade, sexo e personalidade.
O que é o estresse I
A palavra estresse vem do inglês "stress." este termo foi usado inicialmente na física para traduzir o grau de deformidade sofrido por um material quando submetido a um esforço ou tensão.
Em 1936, Hans Selye formulou um conceito de estresse analisando em detalhes reações endocrinológicas. Este conceito tornou-se um paradigma de pesquisa usado até hoje e que muito contribuiu para popularizar informações a respeito deste fenômeno.
Costuma-se empregar o termo "estresse" de uma maneiro muito indiscriminada. Quase sempre pessoas dizem "estou estressado" , referindo-se a cansaço, fadiga, desgaste. O termo é usado para expressar variadas sensações que têm em comum o sentido de dificuldade, pressão ou desgaste extremos.
Porém, somente a sensação de desgaste não constitui-se no conjunto específico de sintomas que Selye classificou como estresse. O "estresse" é causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se vê forçada a enfrentar uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. Qualquer situação que desperte uma emoção forte, boa ou má, que exija mudança, é um estressor, isto é, uma fonte de estresse.
Assim, o estresse pode ser causado por um acontecimento bom, como uma promoção, ou mau, como desemprego ou dificuldade financeira.
"Estresse", a princípio não é uma doença. É apenas a preparação do organismo para lidar com as situações que se apresentam, sendo então uma resposta do mesmo a um determinado estímulo a qual varia de pessoa para pessoa. O prolongamento ou a exacerbação de uma situação específica é que de acordo com as características do indivíduo naquele momento, podem gerar alterações indesejáveis.
É importante enfatizar a natureza não patológica do estresse porque a ausência total de estresse equivale à morte. A função das alterações orgânicas, que conformam o quadro de estresse é preparar o organismo para a ação, para a adaptação imediata à situação causadora do estresse para, em essência, favorecer a sobrevivência.
À primeira vista , o estresse, poderia ser considerado uma síndrome complicada que a natureza impingiu ao ser humano. Mas em essência, ele é um complexo recurso que aumenta as chances de sobrevivência e adaptação à situações desafiadoras.
Em 1936, Hans Selye formulou um conceito de estresse analisando em detalhes reações endocrinológicas. Este conceito tornou-se um paradigma de pesquisa usado até hoje e que muito contribuiu para popularizar informações a respeito deste fenômeno.
Costuma-se empregar o termo "estresse" de uma maneiro muito indiscriminada. Quase sempre pessoas dizem "estou estressado" , referindo-se a cansaço, fadiga, desgaste. O termo é usado para expressar variadas sensações que têm em comum o sentido de dificuldade, pressão ou desgaste extremos.
Porém, somente a sensação de desgaste não constitui-se no conjunto específico de sintomas que Selye classificou como estresse. O "estresse" é causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se vê forçada a enfrentar uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. Qualquer situação que desperte uma emoção forte, boa ou má, que exija mudança, é um estressor, isto é, uma fonte de estresse.
Assim, o estresse pode ser causado por um acontecimento bom, como uma promoção, ou mau, como desemprego ou dificuldade financeira.
"Estresse", a princípio não é uma doença. É apenas a preparação do organismo para lidar com as situações que se apresentam, sendo então uma resposta do mesmo a um determinado estímulo a qual varia de pessoa para pessoa. O prolongamento ou a exacerbação de uma situação específica é que de acordo com as características do indivíduo naquele momento, podem gerar alterações indesejáveis.
É importante enfatizar a natureza não patológica do estresse porque a ausência total de estresse equivale à morte. A função das alterações orgânicas, que conformam o quadro de estresse é preparar o organismo para a ação, para a adaptação imediata à situação causadora do estresse para, em essência, favorecer a sobrevivência.
À primeira vista , o estresse, poderia ser considerado uma síndrome complicada que a natureza impingiu ao ser humano. Mas em essência, ele é um complexo recurso que aumenta as chances de sobrevivência e adaptação à situações desafiadoras.
Introdução III
O profissional do magistério, já pela natureza mesma do seu trabalho__a formação e a educação de crianças, jovens e adultos__, tem de viver a busca e a inquietude que a amplitude desta tarefa pede. Isso exige dele uma grande capacidade de conectar-se com cada acontecimento ao redor. Constantemente interage com uma gama de fatores que vão desde o questionamento da condição humana, até a preocupação no que diz respeito à realidade sócio-econômica no que ela tem de justa ou injusta, desequilibrada ou equilibrada. Ele está face-a-face com o dinamismo do mundo atual, que diversas vezes transforma-se em violência, anormalidades, aberrações, crimes e guerras.
O alvo de seu trabalho é o ser humano, o qual mostra-se complexo e contraditório com suas fragilidades, delicadezas, limitações e grandezas. E isto impele estes profissionais à constante reflexão, no sentido de atender a todas estas solicitações. Não que tenham de sacar uma solução pronta e acabada para os problemas. Contrariamente, precisam deixar sua sensibilidade ser tocada, alterada, mobilizada a fim de que sejam transformados por este fatores e possam também serem agentes de transformações.
Diante do exposto, muito freqüentemente têm uma sensação de que não estão arcando com toda a demanda que a profissão exige; pois precisam ganhar a vida de colégio em colégio, contornando situações emergenciais na sala de aula, formulando e corrigindo provas e outros instrumentos de avaliação. Empenham-se em elaborar propostas para levar aos educandos e muitas vezes notam que elas não surtem o resultado esperado. Algumas vezes podem ficar com a sensação de que erraram de alguma maneira, que a linguagem usada não sensibilizou os alunos, que levaram conteúdos ou objetos de estudo que não mobilizaram o interesse de seus educandos, ao mesmo tempo em que desperdiçam interesses latentes por não compreendê-los a tempo ou não disporem do amparo logístico necessário. Também enfrentam o agravante da falta de tempo para ler, fazer cursos, informar-se e atualizar-se, necessidade esta que já é uma tentativa de compensar o fato de que não foram suficientemente preparados para lidar com tantas variáveis.
A hipótese é de que o professor exerce seu ofício sob um grau de estresse mais intenso que o desejável e que isto repercute negativamente na sua saúde e no seu trabalho.
O alvo de seu trabalho é o ser humano, o qual mostra-se complexo e contraditório com suas fragilidades, delicadezas, limitações e grandezas. E isto impele estes profissionais à constante reflexão, no sentido de atender a todas estas solicitações. Não que tenham de sacar uma solução pronta e acabada para os problemas. Contrariamente, precisam deixar sua sensibilidade ser tocada, alterada, mobilizada a fim de que sejam transformados por este fatores e possam também serem agentes de transformações.
Diante do exposto, muito freqüentemente têm uma sensação de que não estão arcando com toda a demanda que a profissão exige; pois precisam ganhar a vida de colégio em colégio, contornando situações emergenciais na sala de aula, formulando e corrigindo provas e outros instrumentos de avaliação. Empenham-se em elaborar propostas para levar aos educandos e muitas vezes notam que elas não surtem o resultado esperado. Algumas vezes podem ficar com a sensação de que erraram de alguma maneira, que a linguagem usada não sensibilizou os alunos, que levaram conteúdos ou objetos de estudo que não mobilizaram o interesse de seus educandos, ao mesmo tempo em que desperdiçam interesses latentes por não compreendê-los a tempo ou não disporem do amparo logístico necessário. Também enfrentam o agravante da falta de tempo para ler, fazer cursos, informar-se e atualizar-se, necessidade esta que já é uma tentativa de compensar o fato de que não foram suficientemente preparados para lidar com tantas variáveis.
A hipótese é de que o professor exerce seu ofício sob um grau de estresse mais intenso que o desejável e que isto repercute negativamente na sua saúde e no seu trabalho.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Introdução II
No caso específico do professor, e como vem acontecendo em outras profissões, há indícios de distanciamento entre o trabalho prescrito e o trabalho real, o que pode contribuir para o processo de estresse e a Síndrome de burn out. Arriscaríamos mesmo a afirmar que o mal estar do docente é o subproduto deste descompasso perverso entre o trabalho pedagógico real e o trabalho pedagógico prescrito.
O cenário por vezes alienante das condições de trabalho impostas ao professor (trabalho prescrito) resulta também de sobrecargas ocupacionais originárias de uma organização perversa do trabalho humano, como por exemplo: despreparo do professor em desempenhar tarefas típicas da sala de aula; rigidez na escala hierárquica do magistério e da administração escolar; medidas administrativas mais punitivas que reforçadoras; perspectiva duvidosa de crescimento profissional na carreira do magistério; interferência de interesses pessoais e alheios aos objetivos da educação na verdadeira política educacional edificante dos interesses coletivos; não reconhecimento pelo trabalho realizado e outras dificuldades.
Os sofrimentos no trabalho implicam sentimentos de inutilidade, apatia, estagnação, falta de liberdade, falta de realização pessoal, falta de reconhecimento por parte do grupo. Para eliminar as possibilidades de sofrimentos, o trabalhador costuma utilizar-se de estratégias de fuga para se proteger de situações desagradáveis, como, por exemplo, se isolar do convívio com colegas, faltar sistematicamente ao trabalho ou dispensar alunos mais cedo. Observa-se um enorme esforço do trabalhador no sentido de transformar o ambiente aversivo do trabalho prescrito no ambiente agradável e prazeroso do trabalho real, o que muitas vezes lhe custa sacrifícios físicos e mentais.
Todo esse sofrimento relaciona-se com a rigidez na organização do trabalho, com a sua divisão e padronização de tarefas, assim como com a subutilização do potencial do professor, além do descaso pelas suas possibilidades criativas. Como solução extrema, para permanecer no posto de trabalho, o professor desenvolve então os mecanismos de sobrevivência citados, que supostamente modificam suas relações no ambiente de trabalho."
Além do que, nem sempre as autoridades responsáveis pelos sistemas educacionais do País preocupam-se em abrir um amplo e eficaz debate com a finalidade de aproveitar a experiência que os professores adquirem em sala de aula, no convívio direto com o aluno; pois é ali onde tudo o que é falho na macroestrutura da educação e da sociedade, vai manifestar-se sob a forma concreta de perturbações várias no processo ensino-aprendizagem.
Um dos problemas pelos quais a educação no Brasil passa atualmente é a tentativa, por parte dos grupos diretores de políticas educacionais, de democratizar o ensino o máximo possível a fim de conseguir incluir numerosas crianças, adolescentes e adultos que antes não tinham acesso à escola. Nota-se um esforço crescente por parte da escola de abrir suas portas ao todo da sociedade. E é claro que os professores , acham estas iniciativas bastante louváveis, e muito os satisfaz a natureza incluidora desta experiência. No entanto, há que se questionar até que ponto esta inclusão é verdadeira, eficaz e possui de fato a capacidade de trazer a população (antes excluída) para dentro da escola, preparando-a para a vida e para o mercado de trabalho. Seria oportuno indagar se o projeto incluidor está sendo conduzido no sentido de apoiar as pessoas vitimadas por uma contínua exclusão a superar de fato as dificuldades do processo ensino-aprendizagem, ou está apenas velando a situação, multiplicando o número de vagas e mostrando excessiva preocupação em aprovar a qualquer custo ainda que o educando saia da
escola sem a devida maturidade emocional, intelectual e ética para dar conta dos embates da vida e do mercado de trabalho.
Deduz-se que o processo de inclusão na escola brasileira, necessita de muitos aperfeiçoamentos e principalmente investimentos, enquanto disponibilidade de recursos materiais, uma vez que sabe-se bem e não se pode fugir disto: educação custa caro e demanda um esforço considerável de planejamento e organização. Surgem algumas perguntas imediatas: Os critérios usados pelo estado brasileiro para aplicação de verbas vai voltar o foco da sua escolha para as imensas lacunas da democratização do ensino? Disponibilizará a energia humana e os montantes necessários para dinamizar um projeto de inclusão social?Terá esse projeto a profundidade suficiente para modificar os padrões arraigados que caracterizam a sociedade brasileira? São perguntas inquietantes diante da complexa sociedade brasileira,
podendo-se mesmo traduzir a qualidade de complexa pelo termo confusa uma vez que o Brasil apresenta problemas seculares de exclusão, advindos de uma formação social que em suas raízes já seguiu um modelo escravocrata, elitista e centralizador dos recursos materiais nas mãos de poucos.
Sobre o projeto inclusionista como fonte de estresse, comenta Francisco de Paula Nunes Sobrinho, em livro organizado por Marilda Lipp:
"No posto de trabalho docente, os especialistas começam a observar indícios de incompatibilidades entre os limites pessoais do professor diante das demandas da população infantil e adolescente e do sistema educacional, como por exemplo, o comportamento exibido pelo aluno em sala de aula e a peculiaridade do movimento inclusionista em educação."
Nisto, a pesquisa até enseja uma abordagem da maneira como o Brasil vem inserindo-se no processo de globalização, como mais um desdobramento deste modelo inicial. A globalização, sob certos aspectos, está se tornando um fator a mais de estresse para o trabalhador brasileiro, o qual vê-se compelido a entrar numa competição para acompanhar a demanda de conhecimentos, informações, domínios de novas técnicas e tecnologias que até então lhe eram desconhecidas.
E esta competição, longe de assumir feições moderadas, exige fôlego, pois tem de vencer a grande distância sócio-econômica entre o Brasil, e os centros geradores desta mudança. É claro que não se trata de incentivar aqui o isolamento face às tendências do mundo contemporâneo e muito menos pautar-se pelo marasmo existencial e profissional. Os professores não reivindicam como benefício, nenhum comportamento vicioso ou resistente no sentido de vencer a inércia ou os desafios do aprendizado. A queixa vai justamente no sentido de que em inúmeras ocasiões, não se lhes oferecem os meios necessários para vencerem esta defasagem. Os meios requisitados seriam escolas, cursos, equipamentos, treinamentos e tempo para que eles se dedicassem a um novo aprendizado com a calma e a concentração que isto exige.
Veja-se o que descobriu Marilda Lipp em sua pesquisa sobre o assunto:
"Um estressor inesperado quando comecei a conversar com colegas, e que apareceu com muita freqüência, foi a modernização da tecnologia. Professores muito capazes e inteligentes, ainda lutam com grandes dificuldades com computadores, data shows e Internet. O tecnostress, também chamado de stress high tech, ou seja, o estresse gerado pelo avanço tecnológico, sem dúvida está presente na vida de quase todos os professores.
Na verdade, tenostress é a complexa reação que ocorre quando o ser humano tenta e não consegue absorver toda a estrutura operacional de uma máquina em uma tentativa de entendê-la e com ela se comunicar . Ocorre quando as exigências da interação homem-máquina ultrapassam a capacidade do ser humano de entender as mensagens tecnológicas para poder fazer uso do potencial técnico prometido. Tecnostress envolve uma falha na interação máquina-gente, em geral atribuída à dificuldade do homem de entender a máquina.."
O cenário por vezes alienante das condições de trabalho impostas ao professor (trabalho prescrito) resulta também de sobrecargas ocupacionais originárias de uma organização perversa do trabalho humano, como por exemplo: despreparo do professor em desempenhar tarefas típicas da sala de aula; rigidez na escala hierárquica do magistério e da administração escolar; medidas administrativas mais punitivas que reforçadoras; perspectiva duvidosa de crescimento profissional na carreira do magistério; interferência de interesses pessoais e alheios aos objetivos da educação na verdadeira política educacional edificante dos interesses coletivos; não reconhecimento pelo trabalho realizado e outras dificuldades.
Os sofrimentos no trabalho implicam sentimentos de inutilidade, apatia, estagnação, falta de liberdade, falta de realização pessoal, falta de reconhecimento por parte do grupo. Para eliminar as possibilidades de sofrimentos, o trabalhador costuma utilizar-se de estratégias de fuga para se proteger de situações desagradáveis, como, por exemplo, se isolar do convívio com colegas, faltar sistematicamente ao trabalho ou dispensar alunos mais cedo. Observa-se um enorme esforço do trabalhador no sentido de transformar o ambiente aversivo do trabalho prescrito no ambiente agradável e prazeroso do trabalho real, o que muitas vezes lhe custa sacrifícios físicos e mentais.
Todo esse sofrimento relaciona-se com a rigidez na organização do trabalho, com a sua divisão e padronização de tarefas, assim como com a subutilização do potencial do professor, além do descaso pelas suas possibilidades criativas. Como solução extrema, para permanecer no posto de trabalho, o professor desenvolve então os mecanismos de sobrevivência citados, que supostamente modificam suas relações no ambiente de trabalho."
Além do que, nem sempre as autoridades responsáveis pelos sistemas educacionais do País preocupam-se em abrir um amplo e eficaz debate com a finalidade de aproveitar a experiência que os professores adquirem em sala de aula, no convívio direto com o aluno; pois é ali onde tudo o que é falho na macroestrutura da educação e da sociedade, vai manifestar-se sob a forma concreta de perturbações várias no processo ensino-aprendizagem.
Um dos problemas pelos quais a educação no Brasil passa atualmente é a tentativa, por parte dos grupos diretores de políticas educacionais, de democratizar o ensino o máximo possível a fim de conseguir incluir numerosas crianças, adolescentes e adultos que antes não tinham acesso à escola. Nota-se um esforço crescente por parte da escola de abrir suas portas ao todo da sociedade. E é claro que os professores , acham estas iniciativas bastante louváveis, e muito os satisfaz a natureza incluidora desta experiência. No entanto, há que se questionar até que ponto esta inclusão é verdadeira, eficaz e possui de fato a capacidade de trazer a população (antes excluída) para dentro da escola, preparando-a para a vida e para o mercado de trabalho. Seria oportuno indagar se o projeto incluidor está sendo conduzido no sentido de apoiar as pessoas vitimadas por uma contínua exclusão a superar de fato as dificuldades do processo ensino-aprendizagem, ou está apenas velando a situação, multiplicando o número de vagas e mostrando excessiva preocupação em aprovar a qualquer custo ainda que o educando saia da
escola sem a devida maturidade emocional, intelectual e ética para dar conta dos embates da vida e do mercado de trabalho.
Deduz-se que o processo de inclusão na escola brasileira, necessita de muitos aperfeiçoamentos e principalmente investimentos, enquanto disponibilidade de recursos materiais, uma vez que sabe-se bem e não se pode fugir disto: educação custa caro e demanda um esforço considerável de planejamento e organização. Surgem algumas perguntas imediatas: Os critérios usados pelo estado brasileiro para aplicação de verbas vai voltar o foco da sua escolha para as imensas lacunas da democratização do ensino? Disponibilizará a energia humana e os montantes necessários para dinamizar um projeto de inclusão social?Terá esse projeto a profundidade suficiente para modificar os padrões arraigados que caracterizam a sociedade brasileira? São perguntas inquietantes diante da complexa sociedade brasileira,
podendo-se mesmo traduzir a qualidade de complexa pelo termo confusa uma vez que o Brasil apresenta problemas seculares de exclusão, advindos de uma formação social que em suas raízes já seguiu um modelo escravocrata, elitista e centralizador dos recursos materiais nas mãos de poucos.
Sobre o projeto inclusionista como fonte de estresse, comenta Francisco de Paula Nunes Sobrinho, em livro organizado por Marilda Lipp:
"No posto de trabalho docente, os especialistas começam a observar indícios de incompatibilidades entre os limites pessoais do professor diante das demandas da população infantil e adolescente e do sistema educacional, como por exemplo, o comportamento exibido pelo aluno em sala de aula e a peculiaridade do movimento inclusionista em educação."
Nisto, a pesquisa até enseja uma abordagem da maneira como o Brasil vem inserindo-se no processo de globalização, como mais um desdobramento deste modelo inicial. A globalização, sob certos aspectos, está se tornando um fator a mais de estresse para o trabalhador brasileiro, o qual vê-se compelido a entrar numa competição para acompanhar a demanda de conhecimentos, informações, domínios de novas técnicas e tecnologias que até então lhe eram desconhecidas.
E esta competição, longe de assumir feições moderadas, exige fôlego, pois tem de vencer a grande distância sócio-econômica entre o Brasil, e os centros geradores desta mudança. É claro que não se trata de incentivar aqui o isolamento face às tendências do mundo contemporâneo e muito menos pautar-se pelo marasmo existencial e profissional. Os professores não reivindicam como benefício, nenhum comportamento vicioso ou resistente no sentido de vencer a inércia ou os desafios do aprendizado. A queixa vai justamente no sentido de que em inúmeras ocasiões, não se lhes oferecem os meios necessários para vencerem esta defasagem. Os meios requisitados seriam escolas, cursos, equipamentos, treinamentos e tempo para que eles se dedicassem a um novo aprendizado com a calma e a concentração que isto exige.
Veja-se o que descobriu Marilda Lipp em sua pesquisa sobre o assunto:
"Um estressor inesperado quando comecei a conversar com colegas, e que apareceu com muita freqüência, foi a modernização da tecnologia. Professores muito capazes e inteligentes, ainda lutam com grandes dificuldades com computadores, data shows e Internet. O tecnostress, também chamado de stress high tech, ou seja, o estresse gerado pelo avanço tecnológico, sem dúvida está presente na vida de quase todos os professores.
Na verdade, tenostress é a complexa reação que ocorre quando o ser humano tenta e não consegue absorver toda a estrutura operacional de uma máquina em uma tentativa de entendê-la e com ela se comunicar . Ocorre quando as exigências da interação homem-máquina ultrapassam a capacidade do ser humano de entender as mensagens tecnológicas para poder fazer uso do potencial técnico prometido. Tecnostress envolve uma falha na interação máquina-gente, em geral atribuída à dificuldade do homem de entender a máquina.."
domingo, 8 de maio de 2011
Introdução I
Um dos agravantes do estresse no trabalho é a limitação a qual a sociedade submete as pessoas quanto à manifestação de suas angústias, frustrações e emoções. Por causa das normas e regras sociais as pessoas acabam ficando prisioneiras do correto, obrigadas a aparentar um comportamento emocional incongruente com seus reais sentimentos de agressão ou de medo.
No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Pode-se experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo. Da insatisfação salarial e, dependendo da pessoa, até com o toque do telefone. A desorganização no ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras, normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como o trabalho nos ambientes insalubres e na falta de ferramentas adequadas.
Fatores intrapsíquicos relacionados ao serviço também contribuem para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no emprego, de insuficiência profissional, pressão para a comprovação de eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais. Isso tudo sem contar com fatores internos que a pessoa traz consigo para o emprego, tais como: seus conflitos, suas frustrações, suas dificuldades de relacionamento.
A sobrecarga de estímulos estressores é um estado no qual as exigências do ambiente excedem a capacidade de adaptação das pessoas. Os quatro fatores principais que contribuem para a demanda excessiva de agentes estressores no trabalho são:
1-urgência de tempo
2-responsabilidade excessiva
3-falta de apoio
4-expectativas excessivas da própria pessoa e daqueles que cercam-na
A tentativa inicial é de compreender o estresse sob o ponto de vista fisiológico: sua origem nos estímulos exteriores e alterações que estes provocam no organismo. Feito isso, a pesquisa abraça mais três itens significativos no que toca à prevenção do estresse: Identificar algumas possíveis causas sociais ou profissionais do estresse. Mostrar o que acontece a uma pessoa submetida continuamente a estímulos estressores. Fazer um balanceamento entre tipos de benefícios ou malefícios que poderiam atingir pessoas cujas profissões apresentam abundantes fatores de estresse.
Partindo-se do princípio que uma exposição mínima ao fatores de estresse faz-se necessária para que o ser humano sinta-se impelido a produzir mais e melhor, o estresse não é de todo indesejável. A proposta do trabalho é refletir até que ponto estes desafios são aconselháveis e podem ser suportados sem prejuízo da saúde do professor e sem interferir negativamente na qualidade do seu trabalho.
O exercício do magistério exige do professor um grande investimento emocional, e até uma dose considerável de sacrifício, uma vez que impõe-lhe numerosas dificuldades. Uma das dificuldades primordiais com que se depara o professor, é a necessidade de trabalhar com classes numerosas ( mais ou menos 40 alunos). O número excessivos de alunos, pode tornar-se problemático à medida em que multiplica as situações de interações pessoais e de tarefas pedagógicas atribuídas ao docente. Além do que, remete às questões disciplinares que surgem comumente em sala de aula. Tudo indica que fenômenos graves e desestruturadores que acontecem na esfera social, repercutem como desequilíbrio na formação do indivíduo. A sala
de aula representa uma caixa de ressonância que responde com bastante fidelidade às oscilações e desequilíbrios provenientes do complicado contexto social no qual ela situa-se. É notável o quanto de jovens que chegam até ali apresentando comportamentos anti-sociais e agressivos, que talvez sejam produtos de uma socialização confusa e desagregadora do convívio humano no que ele tem de mais agradável e gratificante; a solidariedade, o reconforto e a revivificação
provenientes do contato harmonioso com o outro. Estes jovens, muitas vezes, transmitem a impressão de não confiarem ou não acreditarem que a escola terá um papel positivo em suas vidas.
São abundantes os problemas disciplinares como tentativas de tumultuar o ambiente da sala, falta de engajamento nas atividades que estão sendo propostas ou desenvolvidas, desinteresse pelo conteúdo que está sendo posto em estudo, uso excessivo de palavras de baixo calão, estudantes que exercem liderança negativa sobre outros.
Uma outra dificuldade, também bastante costumeira, é o trabalho com turmas que apresentam um grau considerável de heterogeneidade, o que dificulta a escolha de atividades que satisfaçam e aproveitem o potencial de todos os alunos simultaneamente.
É interessante, com relação às frustrações do trabalho docente, as reflexões de Francisco de Paula Nunes Sobrinho, expressas nos conceitos de "trabalho prescrito" e "trabalho real". A despeito de seu direcionamento e preocupação para organizar o trabalho e garantir que ele seja operante e produtivo, o "trabalho prescrito" é carente de um foco que contemple a necessidade, profundamente humana, de auferir gratificação no que é realizado como trabalho.
Por trabalho real Francisco de Paula Nunes Sobrinho, entende o somatório de valores e práticas, que promoveriam para o agente do trabalho, a presença de reforços positivos de sua ação sobre o mundo.
Vejamos o ponto de vista de Francisco de Paula N. Sobrinho no seu artigo intitulado "Dissociação entre o trabalho pedagógico prescrito e o trabalho pedagógico real" (constante no livro o estresse do professor, organizado por Marilda E. N. Lipp)
"Os efeitos negativos produzidos pela dissociação entre o trabalho prescrito e o trabalho real sobre a saúde e a qualidade de vida no trabalho têm sido um dos temas que mais desafiam os ergonomistas na atualidade. No mundo do trabalho, o trabalho prescrito é caracterizado pelas regras de convivência socioprofissionais, pelas responsabilidades e competências atribuídas ao trabalhador, pelas exigências e pré-requisitos nas operações de trabalho, pela legislação e pelas normas regulamentadoras, pela ética profissional, pelas regras de segurança, pela regulamentação de tempos, pela execução de tarefas específicas, pelo detalhamento de tarefas, dentre outras.
O prazer em executar o trabalho docente tem como determinante o reconhecimento por parte dos colegas, o sentimento de aceitação e de admiração pela direção da escola, o reconhecimento dos pais e dos alunos, o sentimento de que o trabalho cumpre uma função social, reduzindo as desigualdades sociais e evitando a exclusão do contigente escolar, além de proporcionar liberdade de expressão. A esse conjunto de eventos altamente gratificantes da profissão de professor, os estudiosos chamam de trabalho real.
No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Pode-se experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo. Da insatisfação salarial e, dependendo da pessoa, até com o toque do telefone. A desorganização no ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras, normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como o trabalho nos ambientes insalubres e na falta de ferramentas adequadas.
Fatores intrapsíquicos relacionados ao serviço também contribuem para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no emprego, de insuficiência profissional, pressão para a comprovação de eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais. Isso tudo sem contar com fatores internos que a pessoa traz consigo para o emprego, tais como: seus conflitos, suas frustrações, suas dificuldades de relacionamento.
A sobrecarga de estímulos estressores é um estado no qual as exigências do ambiente excedem a capacidade de adaptação das pessoas. Os quatro fatores principais que contribuem para a demanda excessiva de agentes estressores no trabalho são:
1-urgência de tempo
2-responsabilidade excessiva
3-falta de apoio
4-expectativas excessivas da própria pessoa e daqueles que cercam-na
A tentativa inicial é de compreender o estresse sob o ponto de vista fisiológico: sua origem nos estímulos exteriores e alterações que estes provocam no organismo. Feito isso, a pesquisa abraça mais três itens significativos no que toca à prevenção do estresse: Identificar algumas possíveis causas sociais ou profissionais do estresse. Mostrar o que acontece a uma pessoa submetida continuamente a estímulos estressores. Fazer um balanceamento entre tipos de benefícios ou malefícios que poderiam atingir pessoas cujas profissões apresentam abundantes fatores de estresse.
Partindo-se do princípio que uma exposição mínima ao fatores de estresse faz-se necessária para que o ser humano sinta-se impelido a produzir mais e melhor, o estresse não é de todo indesejável. A proposta do trabalho é refletir até que ponto estes desafios são aconselháveis e podem ser suportados sem prejuízo da saúde do professor e sem interferir negativamente na qualidade do seu trabalho.
O exercício do magistério exige do professor um grande investimento emocional, e até uma dose considerável de sacrifício, uma vez que impõe-lhe numerosas dificuldades. Uma das dificuldades primordiais com que se depara o professor, é a necessidade de trabalhar com classes numerosas ( mais ou menos 40 alunos). O número excessivos de alunos, pode tornar-se problemático à medida em que multiplica as situações de interações pessoais e de tarefas pedagógicas atribuídas ao docente. Além do que, remete às questões disciplinares que surgem comumente em sala de aula. Tudo indica que fenômenos graves e desestruturadores que acontecem na esfera social, repercutem como desequilíbrio na formação do indivíduo. A sala
de aula representa uma caixa de ressonância que responde com bastante fidelidade às oscilações e desequilíbrios provenientes do complicado contexto social no qual ela situa-se. É notável o quanto de jovens que chegam até ali apresentando comportamentos anti-sociais e agressivos, que talvez sejam produtos de uma socialização confusa e desagregadora do convívio humano no que ele tem de mais agradável e gratificante; a solidariedade, o reconforto e a revivificação
provenientes do contato harmonioso com o outro. Estes jovens, muitas vezes, transmitem a impressão de não confiarem ou não acreditarem que a escola terá um papel positivo em suas vidas.
São abundantes os problemas disciplinares como tentativas de tumultuar o ambiente da sala, falta de engajamento nas atividades que estão sendo propostas ou desenvolvidas, desinteresse pelo conteúdo que está sendo posto em estudo, uso excessivo de palavras de baixo calão, estudantes que exercem liderança negativa sobre outros.
Uma outra dificuldade, também bastante costumeira, é o trabalho com turmas que apresentam um grau considerável de heterogeneidade, o que dificulta a escolha de atividades que satisfaçam e aproveitem o potencial de todos os alunos simultaneamente.
É interessante, com relação às frustrações do trabalho docente, as reflexões de Francisco de Paula Nunes Sobrinho, expressas nos conceitos de "trabalho prescrito" e "trabalho real". A despeito de seu direcionamento e preocupação para organizar o trabalho e garantir que ele seja operante e produtivo, o "trabalho prescrito" é carente de um foco que contemple a necessidade, profundamente humana, de auferir gratificação no que é realizado como trabalho.
Por trabalho real Francisco de Paula Nunes Sobrinho, entende o somatório de valores e práticas, que promoveriam para o agente do trabalho, a presença de reforços positivos de sua ação sobre o mundo.
Vejamos o ponto de vista de Francisco de Paula N. Sobrinho no seu artigo intitulado "Dissociação entre o trabalho pedagógico prescrito e o trabalho pedagógico real" (constante no livro o estresse do professor, organizado por Marilda E. N. Lipp)
"Os efeitos negativos produzidos pela dissociação entre o trabalho prescrito e o trabalho real sobre a saúde e a qualidade de vida no trabalho têm sido um dos temas que mais desafiam os ergonomistas na atualidade. No mundo do trabalho, o trabalho prescrito é caracterizado pelas regras de convivência socioprofissionais, pelas responsabilidades e competências atribuídas ao trabalhador, pelas exigências e pré-requisitos nas operações de trabalho, pela legislação e pelas normas regulamentadoras, pela ética profissional, pelas regras de segurança, pela regulamentação de tempos, pela execução de tarefas específicas, pelo detalhamento de tarefas, dentre outras.
O prazer em executar o trabalho docente tem como determinante o reconhecimento por parte dos colegas, o sentimento de aceitação e de admiração pela direção da escola, o reconhecimento dos pais e dos alunos, o sentimento de que o trabalho cumpre uma função social, reduzindo as desigualdades sociais e evitando a exclusão do contigente escolar, além de proporcionar liberdade de expressão. A esse conjunto de eventos altamente gratificantes da profissão de professor, os estudiosos chamam de trabalho real.
sábado, 7 de maio de 2011
De que se trata
Fiz esta pesquisa como monografia para um curso de psicopedagogia. Minha proposta não é fazer uma defesa de teses científicas nem de pontos de vista de um profissional. Este trabalho é apenas fruto do meu esforço em lidar com o meu próprio estresse.
No entanto, ao pesquisar deparei-me com informações básicas e simples sobre o estresse, as quais, mudaram muito a minha vida. Entusiasmei-me também por alguns pesquisadores e pensadores, que têm dado contribuições valiosas no combate ao estresse.
Penso que postando aqui estarei compartilhando informações que poderão ser úteis e interessantes para outras pessoas como foram para mim.
Esclarecimento
Originalmente, o trabalho dirigiu-se aos professores e intitulou-se " O estresse do professor". Consta de algumas considerações sobre como as práticas profissionais do magistério geram estresse e de reflexões sobre estresse de um modo geral. Excetuando-se algumas pequenas particularidades pertinentes ao magistério, o conteúdo aplica-se a todos que por quaisquer razões precisam submeter-se a fatores estressantes. Salvo, é claro, particularidades outras que não puderam serem previstas no âmbito da pesquisa.
Objetivos
Além dos objetivos já citados, é uma tentativa de alertar às pessoas para não deixarem que os sintomas causados pelo estresse negativo, avancem até seus estágios finais, provocando malefícios difíceis de serem sanados.
Resumo
O estresse é uma reação orgânica própria do ser humano. Aliás, é uma reação muito importante, pois garantiu a sobrevivência da espécie quando seus ancestrais precisavam habitar as cavernas, enfrentar o frio estando quase nus, enfrentar a noite com mil perigos e o dia com seus afazeres, isto é; caçar animais muitas vezes maiores e mais fortes ou outros pequeninos e traiçoeiros, cortar os pés nos caminhos pedregosos, furar as mãos nos espinhos das plantas.
Agora não é mais necessário caçar mamutes. É só ir ao supermercado. A comida está toda lá. É só? Não, não é bem assim. Hoje, não há mais mamutes. Come-se carne bovina, frango, legumes etc. E está tudo lá no supermercado esperando. Porém...entre a residência e o supermercado há o dia com seus mil afazeres. Pagar o aluguel, a prestação do carro, a escola das crianças, planos de saúde, e é claro, a conta do supermercado.
A vida transcorre num mundo cheio de promessas de conforto e bem estar, mas muitas armadilhas escondem-se atrás deste suposto bem estar. Os perigos não são mais tão imediatos quanto aqueles enfrentados pelos tataravós das cavernas. A sutileza dos perigos, nos deixa mais vulneráveis, pois nos expomos inadvertidamente ao que não é tão óbvio. Com sinuosidade e constância, os perigos encontram-se na família, no trabalho, nos demais relacionamentos, enfim em todas as tentativas humanas de interagir com a vida moderna.
Lembra o processo do castigo chinês. Ninguém derrama um balde d'água sobre a cabeça do outro. Porém, pinga que pinga; uma discussão, uma conta atrasada, um filho complicado, um aluno mais confuso, aulas a preparar, cursos a fazer, trânsito engarrafado, salário atrasado, dores mal curadas. Então, a qualquer momento, alguém nota que começou a ficar estranho, a sentir alterações no comportamento, a ficar cansado e desanimado.
Hoje em dia a palavra estresse é muito conhecida. Com freqüência, quando alguém sente-se desgastado, diz: "estou estressado". Porém, há indícios de que nem todos sabem muito bem como lidar com isso. No ensino médio aprende-se quais são as partes da célula, mas nada sobre como lidar com o estresse. Após terminarem seus cursos de formação, professores descobrem que os componentes curriculares nem sempre foram selecionados e planejados de acordo com os desafios que encontrarão nas salas de aula. Vejamos o que diz Francisco de Paula Nunes sobrinho em seu artigo para o livro organizado por Marilda Lipp.:
"Em relação a esta última possibilidade de utilização de análise ergonômica do trabalho, infelizmente as reformas curriculares de cursos voltados para a formação do professor ainda não fazem uso desse instrumento. Como conseqüência, os conteúdos curriculares identificados nessas reformulações continuam desprovidos de critérios apurados que definem o perfil, as reais competências e as habilidades do profissional de educação."
Quando os professores adoecem, consultam os médicos. Mas já é tarde para informações e medidas preventivas. O tratamento terá que assumir um caráter curativo. O paciente, provavelmente não estará preparado para ouvir explicações. Ninguém disse-lhe oportunamente que auto conhecimento ajuda, que reações individuais podem ser diferentes diante do mesmo estímulo, etc. Segundo o ponto de vista de David Fontana em seu livro Psicologia para professores "...o estresse cobra seu tributo, e é importante saber tanto quanto possível sobre ele para evitá-lo enquanto se pode e lidar com ele com sucesso quando for inevitável. É importante reconhecer seus primeiros estágios e tomar medidas corretivas antes que as coisas piorem. Insônia, ataques de pânico, mudanças abruptas nos padrões de vida estabelecidos, uso crescente de bebidas alcoólicas, agitação, depressão, irritabilidade são sinais de estresse progressivo e devem ser cuidados antes que o problema se agrave.
Em seu livro " como enfrentar o estresse, Marilda Novaes Lipp também adverte que informação é uma proteção considerável para todos aqueles que precisam submeter-se a muitos estímulos estressores:
"Um dos problemas mais comuns que o ser humano enfrenta, em qualquer idade, é o estresse. Todos já o experimentaram, mas poucos o compreendem ou reconhecem o impacto que o estresse pode ter no seu corpo. É possível, no entanto, aprender a reconhecê-lo, controlá-lo e, até mesmo, utilizá-lo para o nosso benefício. O primeiro passo é compreender o que é estresse."
No entanto, ao pesquisar deparei-me com informações básicas e simples sobre o estresse, as quais, mudaram muito a minha vida. Entusiasmei-me também por alguns pesquisadores e pensadores, que têm dado contribuições valiosas no combate ao estresse.
Penso que postando aqui estarei compartilhando informações que poderão ser úteis e interessantes para outras pessoas como foram para mim.
Esclarecimento
Originalmente, o trabalho dirigiu-se aos professores e intitulou-se " O estresse do professor". Consta de algumas considerações sobre como as práticas profissionais do magistério geram estresse e de reflexões sobre estresse de um modo geral. Excetuando-se algumas pequenas particularidades pertinentes ao magistério, o conteúdo aplica-se a todos que por quaisquer razões precisam submeter-se a fatores estressantes. Salvo, é claro, particularidades outras que não puderam serem previstas no âmbito da pesquisa.
Objetivos
Além dos objetivos já citados, é uma tentativa de alertar às pessoas para não deixarem que os sintomas causados pelo estresse negativo, avancem até seus estágios finais, provocando malefícios difíceis de serem sanados.
Resumo
O estresse é uma reação orgânica própria do ser humano. Aliás, é uma reação muito importante, pois garantiu a sobrevivência da espécie quando seus ancestrais precisavam habitar as cavernas, enfrentar o frio estando quase nus, enfrentar a noite com mil perigos e o dia com seus afazeres, isto é; caçar animais muitas vezes maiores e mais fortes ou outros pequeninos e traiçoeiros, cortar os pés nos caminhos pedregosos, furar as mãos nos espinhos das plantas.
Agora não é mais necessário caçar mamutes. É só ir ao supermercado. A comida está toda lá. É só? Não, não é bem assim. Hoje, não há mais mamutes. Come-se carne bovina, frango, legumes etc. E está tudo lá no supermercado esperando. Porém...entre a residência e o supermercado há o dia com seus mil afazeres. Pagar o aluguel, a prestação do carro, a escola das crianças, planos de saúde, e é claro, a conta do supermercado.
A vida transcorre num mundo cheio de promessas de conforto e bem estar, mas muitas armadilhas escondem-se atrás deste suposto bem estar. Os perigos não são mais tão imediatos quanto aqueles enfrentados pelos tataravós das cavernas. A sutileza dos perigos, nos deixa mais vulneráveis, pois nos expomos inadvertidamente ao que não é tão óbvio. Com sinuosidade e constância, os perigos encontram-se na família, no trabalho, nos demais relacionamentos, enfim em todas as tentativas humanas de interagir com a vida moderna.
Lembra o processo do castigo chinês. Ninguém derrama um balde d'água sobre a cabeça do outro. Porém, pinga que pinga; uma discussão, uma conta atrasada, um filho complicado, um aluno mais confuso, aulas a preparar, cursos a fazer, trânsito engarrafado, salário atrasado, dores mal curadas. Então, a qualquer momento, alguém nota que começou a ficar estranho, a sentir alterações no comportamento, a ficar cansado e desanimado.
Hoje em dia a palavra estresse é muito conhecida. Com freqüência, quando alguém sente-se desgastado, diz: "estou estressado". Porém, há indícios de que nem todos sabem muito bem como lidar com isso. No ensino médio aprende-se quais são as partes da célula, mas nada sobre como lidar com o estresse. Após terminarem seus cursos de formação, professores descobrem que os componentes curriculares nem sempre foram selecionados e planejados de acordo com os desafios que encontrarão nas salas de aula. Vejamos o que diz Francisco de Paula Nunes sobrinho em seu artigo para o livro organizado por Marilda Lipp.:
"Em relação a esta última possibilidade de utilização de análise ergonômica do trabalho, infelizmente as reformas curriculares de cursos voltados para a formação do professor ainda não fazem uso desse instrumento. Como conseqüência, os conteúdos curriculares identificados nessas reformulações continuam desprovidos de critérios apurados que definem o perfil, as reais competências e as habilidades do profissional de educação."
Quando os professores adoecem, consultam os médicos. Mas já é tarde para informações e medidas preventivas. O tratamento terá que assumir um caráter curativo. O paciente, provavelmente não estará preparado para ouvir explicações. Ninguém disse-lhe oportunamente que auto conhecimento ajuda, que reações individuais podem ser diferentes diante do mesmo estímulo, etc. Segundo o ponto de vista de David Fontana em seu livro Psicologia para professores "...o estresse cobra seu tributo, e é importante saber tanto quanto possível sobre ele para evitá-lo enquanto se pode e lidar com ele com sucesso quando for inevitável. É importante reconhecer seus primeiros estágios e tomar medidas corretivas antes que as coisas piorem. Insônia, ataques de pânico, mudanças abruptas nos padrões de vida estabelecidos, uso crescente de bebidas alcoólicas, agitação, depressão, irritabilidade são sinais de estresse progressivo e devem ser cuidados antes que o problema se agrave.
Em seu livro " como enfrentar o estresse, Marilda Novaes Lipp também adverte que informação é uma proteção considerável para todos aqueles que precisam submeter-se a muitos estímulos estressores:
"Um dos problemas mais comuns que o ser humano enfrenta, em qualquer idade, é o estresse. Todos já o experimentaram, mas poucos o compreendem ou reconhecem o impacto que o estresse pode ter no seu corpo. É possível, no entanto, aprender a reconhecê-lo, controlá-lo e, até mesmo, utilizá-lo para o nosso benefício. O primeiro passo é compreender o que é estresse."
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