sábado, 21 de maio de 2011

O estresse e a vida moderna II

      De   modo que  tudo  segue  a direção  pré-determinada. A  instrução é fazer,  realizar  e  produzir.  Então,    gastando  apenas  30 minutos  da  casa  ao  trabalho,  e no  final  do dia   tendo  a  sobra  de 1 hora,   freqüenta-se   umas  aulas  de  estratégias   de   marketing.  Porém,    dias  depois,  uma  instituição  educacional   inaugura  um  curso  de  marketing  à  distância.  Como  já  é   possível   ir  para  a casa  e não  mais  gastar  1 hora  no curso  de  makerting;  é só providenciar  a  matrícula   do  curso  de  inglês.  A  vida  contemporânea  impulsiona   as   pessoas   a  viverem  freneticamente  economizando tempo  somente  para   preenchê-lo   com  outros  afazeres    e  solicitações.
       A automação nem  sempre  realiza  os ideais  de  conforto  que  suscita.  Agora,  seres  humanos  vivem  num  mundo  em que  os fatos  acontecem  muito  mais  rapidamente  do que a  capacidade  orgânica em absorver  estímulos  e  lidar  com  eles. Atende-se  o telefone  celular enquanto  se  está  dirigindo  o  automóvel.  Quer dizer;  pode-se  tomar  uma  decisão   significativa   ao  mesmo  tempo  em  que  se     cuida   para  não   chocar  o  carro  contra  o  caminhão  que vem  à  frente   e  abrir  caminho   para  a ambulância  que vem  atrás.
       Atente-se para  o que diz    Susan  Andrews   no  livro   "Stress a seu  favor."

      "Com grandes  avanços  na  automação  e  informática   imaginávamos  que  iríamos   estar  trabalhando  cada  vez  menos   e  dispondo  de  um  tempo  maior  para  lazer,   artes,  natureza,  família e  vida  espiritual. Ah!  Quem  dera!  Estamos   trabalhando  cada vez mais,  dispondo   de   menos  tempo   para   o   lazer    e    ficando     mais    estressados."

       O  patrão,  chefe  ou  quem quer que pague  a  um  funcionário  vai  exigir   dele   todo  o  seu  empenho  e  capacidade,  porque   ainda  que  seja  o  patrão,  ele  também  tem  dívidas  e  é   o   trabalho   que   produz   dinheiro,   tanto  o  do  salário    do  empregado,  quanto   aquele   que  vai   pagar  as  dívidas  da  empresa.
       A  rede  de  apelos   da  sociedade  já  está  gigantesca,    desmesurada,  torcida,  retorcida  e distorcida  de  tal maneira  que  as   pessoas,   sobrevivendo  nas   suas   malhas,   muito  poucas   alternativas  têm  a  não  ser  cumprir  as   exigências  de  produzir   mais   e  melhor. O  habitante  da civilização  perdeu  grande  parte  de  seu  direito  à  qualidade  de vida,  descanso   e  tranqüilidade;  reduzido  que   foi    à   peça   cuja  função   é   produzir   para  robustecer   as    malhas  da  rede.  Muito  distante  da  paz  do Tibete,  sua  vida   é  um  conjunto  de   apelos  e  demandas  à  sua  capacidade   de  trabalhar  e sobreviver.
       Diante disso, podemos afirmar  que  o  trabalho   é  um  dos  setores  da vida  que   mais  gera  estímulos  estressores e  que,  sob as  pressões  do   ambiente  profissional,  o  organismo  mobiliza amiúde  a  resposta  Neanderthal.

 Vejamos  as  conclusões  de  Susan  Andrews:
       
       "É  o  início  da história  humana,  um  milhão  de  anos  atrás  e o Homo  Sapiens  sai  de  sua   caverna  para  o  ver  o sol  nascer  colorindo  o  horizonte. De repente  ele  ouve  um  ruído   na   floresta.  Seus músculos  tensionam-se,  seu  coração  sente  uma  pancada,  sua  respiração  torna-se  mais  rápida e assim  ele  se  depara   com   um  tigre   dentes-de-sabre.  Deveria  ele  lutar  ou  fugir?  Ele  abaixa-se,  pega    uma  pedra   pontuda   e  arremessa-a   contra  o  tigre,  o  animal  rosna,   mas  desaparece  na   floresta.
       O  homem   sente  seu  corpo  amolecer,  sua  respiração  torna-se  fácil.  Ele  retorna  à sua  caverna  para   descansar...
       Um  milhão de anos  depois... é  o  início  de  outro  dia   de  trabalho,  e o  Homo  Sapiens  sai de  seu  edifício  para   o  barulho    da  "hora  do rush",  momento  de   maior  tráfego  nas  ruas. Ele  abre  seu  caminho    através  da  multidão   e  chega  na  esquina  bem  a  tempo  de  ver   seu  ônibus  partir.  Atrasado  para  o  trabalho,  abre a  porta   do  escritório  e  encontra  seu  chefe   caminhando  de  um  lado  para  o  outro. O chefe grita:  "Seu  relatório  foi  prometido   para   uma  hora   atrás.  E o  cliente  está  furioso!  Se  quiser  manter   seu  emprego,  você   deve  ter   uma   boa   explicação! E  aliás,  pode  esquecer   suas  férias  neste  verão!"
       O homem  olha  para  um  peso  de  papéis  sobre  a  mesa  sentindo  ímpeto  de  arremessá-lo   no  seu  opressor!  Em   vez  disso  senta-se,   com  o  estômago  agitado,  os    músculos   das  costas   tensos  e a  pressão   arterial   subindo.  Ele  procura  um Valium  na  escrivaninha  e  o  toma  como uma    aspirina. Mas não adianta.  Sente-se  péssimo....
        Com  o  excesso  de  trabalho,  conflitos   interpessoais,   problemas   financeiros,   doença  ou  morte   na  família,  estamos  reagindo  aos desafios  dos   dias  atuais   com  a  resposta   fisiológica  de  um   homem  de Neanderthal.  Porém,  diferentemente   dos  nossos  ancestrais  das  cavernas,  não  podemos fugir   dos  nossos  problemas,  nem  lutar  fisicamente  contra  eles. Então,   enfrentamos   tensões  contínuas  contra  as  quais  não  podemos  reagir  com  a  atividade  física.
        O  empregado  que   é   constantemente  criticado   pelo  seu  chefe,   o  estudante   sob  contínua  pressão   por  excessos  de  trabalhos  escolares   e   provas,  a  dona-de-casa  aflita,  ouvindo  repetidas  reclamações   do  marido,   todos  mobilizam   uma   energia  intensa:     seus  músculos  ficam   tensos,  suas  respirações  tornam-se  irregulares,  seus  corações  aceleram-se.
        Mas   embora  estejam  preparados  para  uma  explosão  de  atividade,    não  podem   liberar  sua  tensão   arremessando   o  cinzeiro  sobre  o  chefe  ou   então  sair  correndo.  Eles não  queimam    todos  os  açúcares  e  gorduras   liberadas   pelo   fígado __não fazem uso  de toda  energia despertada  numa  atividade   física   vigorosa,  para   depois   relaxar.  Então,  o que  acontece?"
       
        A  situação   descrita   acima  representa   um  conflito que   precisa  ser  solucionado  para que  o estresse  não perdure  por  um  longo  tempo  gerando  doenças  de  desequilíbrio  no  organismo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O estresse e a vida moderna I

       Houve  um  momento,  na  trajetória  da  humanidade  em  que   não  havia  eletricidade,  motores,  máquinas   ou   automação. A  velocidade   dos  acontecimentos  correspondiam  quase   que  exatamente  à velocidade  com   que  o  ser humano agia  e  locomovia-se. É claro  que  a vida  era  lenta; por  exemplo,  não  se   podia  realizar   grandes  viagens  ( os  veículos  que podiam  atravessar grandes  espaços  eram  raros,  e   muito  poucas   pessoas  possuíam-nos).  No dia-a-dia  somente  pequenas  viagens  eram  possíveis. Se  alguém quisesse  fazer uma  longa viagem, podia sim,  mas  teria  que  contentar-se   com  a  velocidade   e  o  ritmo  que  os  meios  de  locomoção   propiciavam. Estes  veículos  ofereciam  pouco mais  que  a  própria   capacidade  do corpo humano  em locomover-se.  Mas   o   homem, na  sua   inquietude,  não  se  conformou   muito  em   manter-se  dentro  destes  limites.  Deste modo,   começou   a  tentar  cada  vez   mais  encontrar  recursos   que   superassem  suas  humanas  capacidades,  que  mostravam-se  muito  lentas   para  cumprir   todas  as  realizações   desejadas.
       Com este  forte  impulso  para  superar   os  limites   do seu  corpo  frágil,  cujas  medidas eram  as  curtas  passadas  de seus  pés; passou  do cavalo  à charrete,  da  charrete ao  automóvel,  do  automóvel  ao  avião. E  querendo   mais   velocidade   para   aproveitar   o  tempo,  criou  o  motor  a  vapor,   depois   o   motor  à  explosão. Abandonou  o barco  a  remo  para  aproveitar  a velocidade  do barco  a  vapor,   largou   o vapor  para o  óleo  Diesel. Criou  o  telégrafo,   o  telefone,   o computador  e por  aí  afora.
       A  princípio,  tudo  leva  a crer  que  esta  busca pelo  progresso,  representou  uma  grande   economia  da  energia  humana,  pois  o   automóvel  vai  com     mais   rapidez  e  conforto  aonde  se quer  chegar. Então é muitíssimo  melhor viajar  de automóvel  do  que  a  cavalo. Aliás,  querendo  ir  mais  depressa  basta  tomar  um  avião. Ou ficar em  casa  e comunicar-se pelo telefone ou pela Internet. Bem... pelo visto,   este  mundo  de   máquinas  e  equipamentos   velozes   traz  enormes  benefícios.
        Infelizmente,  tudo  dependeu  de como  a civilização  resolveu   aproveitar  o  conforto,  a  economia  de  tempo  e  o  encurtamento  das distâncias. Provavelmente,  o   mais   sábio  seria  aproveitar  o tempo que  sobra  daquela  rápida   locomoção  de uma  América  a outra,  para  divertir-se,  cuidar  da  saúde ou  permanecer  com  a  família  ou  com  os  amigos. Um  lama  do Tibete, talvez   respondesse  que  sim, que  as  máquinas  são  utilíssimas e  que os  homens  deveriam  mesmo usá-las  e  aproveitar  a  economia  de tempo para  cuidar  do  espírito,  da saúde,  da  paz, da  fraternidade etc.
         Mas 99,99%   da   humanidade  não  vai  para  o Tibete. A  humanidade   até   que  interessa-se por  questões  espirituais.Mas o que tem feito  as  pessoas  levantarem-se  cedo da  cama,   vestirem  o  paletó,  engolirem  o  café,  pegarem  o  automóvel  e  saírem  em  disparada,  não  é o cultivo  da paz  nem  da  tranqüilidade  de espírito.  O que  de  fato, movimenta  a humanidade, é a tendência para  produzir,  ganhar ou  conquistar  coisas  materiais.
          Qual  a  relação  entre  máquinas  e  monges? É que a  humanidade  não  escolheu  pautar-se  pela opinião  dos  monges,  (talvez porque não possa, talvez porque não queira.E isto é outra história).O que  fazemos  todos  os dias é produzir  segundo  a  orientação  de  poderes que, diferentemente  da   proposta  dos   monges,  estimulam  o funcionamento  ininterrupto  de  uma   enorme  rede  de  transações,  negócios,   atividades,   interações  que   envolvem   atitudes  e  ações  totalmente  voltadas   para   aspectos   materiais  da  vida.
       
      

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O estresse não é uma patologia

         A   conceituação  de  estresse  visou  descaracterizá-lo como uma  manifestação  patológica,  frisando  que,  muito  ao   contrário,  ele  é  simplesmente  uma   reação  primordial  do  organismo voltada  para  a   sobrevivência.  O  que  pode  parecer  contraditório  é  como   esta  reação  natural, necessária   e   dotada    de  grande  funcionalidade,  termina  por  tornar-se   problemática em  determinadas  situações. Por  quê,  no  contexto  da  vida  moderna,  este  pronto    mecanismo  de  defesa, é  fonte  de   transtornos    e   doenças  para   o  organismo?
          Para  isso,  é muito  útil  conhecer  o fenômeno   que  Susan Andrews,  em  seu  livro   "Estresse  a  seu  favor"  denominou  de  resposta  Neanderthal:

          "Se  não  fosse   pelo  estresse,  não  haveria  ser  humano __  ou   mesmo  algumas  outras  criaturas  __  neste  planeta.
           Imaginemos uma  zebra  diante  de  um  leão faminto. Os  rugidos  do  leão  assustam-na e  desesperam-na. O  leão  está  prestes  a  pular  sobre  ela.  Ela   está  bastante  estressada. Instantânea  e  instintivamente  seu  corpo  fica  pronto  para  lutar  ou  fugir.__Nesse caso, fugir.
           Assim  opera  o  estresse,  com  o  animal  ou  o  ser  humano. O   cérebro  ativa  o   sistema  nervoso  simpático  que,   por  sua  vez,   ativa  as  glândulas    supra-renais.  A  adrenalina,  hormônio  do  estresse    é   secretada   no  sangue  para   colocar   o  corpo   em   marcha.  Em  2,5  segundos,    o  corpo   passa  por   1400  reações  físico-químicas   que  fazem  de  nós  um  super-humano.
            O coração  começa   a  bater   mais   rapidamente  e   os  pulmões  também  respiram   aceleradamente  para  fornecer   mais    oxigênio  ao   corpo. O  fígado  usa   o  glicogênio  acumulado  nas  reservas   do  organismo  e   o   transforma   em  poderosa   glicose  para  propiciar  energia  instantânea (a adrenalina  é tão poderosa  que  apenas uma  de  suas  moléculas  converte  100  milhões  de moléculas  de  oxigênio   em  açúcar!).
             No caso  do  perigo  persistir  e a  pessoa  precisar  de  mais  energia  ainda,  as  supra-renais secretam  um outro hormônio  do  estresse,  o  cortisol,  e  seu  fígado começa  a  mobilizar  suas  reservas  de  gordura  para  criar  mais  um  combustível. O cérebro  trabalha  numa enorme  velocidade   para  que  a   pessoa  possa  descobrir  o  que  fazer   nesta   emergência. Os   músculos  contraem-se   formando  uma  couraça,  para  proteger  o  indivíduo  contra  os  ferimentos. O  sistema  imunológico    é   colocado  em  alerta  para  que  não  haja   inflamação   no  caso  de  ferimento."
            
 A resposta  do  estresse   é  perfeita  para  as  necessidades  de  um  animal  selvagem. Rápida e eficaz  funcionou   muito  bem  para  ajudar   a  zebra  a  manter-se  viva.  Para nós seres  humanos, funciona   muito   bem   quando  estamos  em   plena   travessia   de  uma  rua   e  ouvimos   o    som  de  uma  buzina. Os  músculos  ficam  tensos,  o coração  e  a  respiração  aceleram, e numa  explosão  de energia  super-humana,  damos  um  salto  para  trás  enquanto  o  automóvel  passa  rente  ao  corpo. 
             Desfrutando dos  aprimoramentos  de que a  espécie  nos  legou, somos  receptores  dos  cuidados da mãe  evolução, e nem  sempre cultivamos  o   hábito de   ajudar.  Afinal se as funções autônomas fazem tão bem  o seu   trabalho,  por que   iríamos nós interferir?  De fato,  os  instintos 
são muito  eficientes   e  nem  de longe  questionamos  isto.  Devemos nos curvar ao  fato  de que não interferimos mesmo, e mais  humildemente  ainda, passarmos  a conhecer,  interagir, respeitar  e apoiar. Nossa  displicência  em relação às  funções  instintivas  tem  um preço. Podemos pagar caro  por  agirmos  sistematicamente   em  desacordo  com   as  necessidades  de  nossa  natureza  integral.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O que é o estresse II

             A  síndrome  do estresse  biológico,  denominada por Selye  de Síndrome  de Adaptação  Geral (SAG), apresenta três  estágios:  reação de alarme,  fase  de  resistência  e  fase  de  esgotamento. Comparativamente aos  ciclos da vida,  temos a  infância ( pouca  resistência e reações  excessivas) como a fase de alarme; já  a idade adulta (elevada capacidade de resistir) associa-se à fase  de resistência;  e a velhice ( perda  das capacidades)  representaria  a fase de esgotamento.
             Na reação de alarme, ocorre a  mudança  característica  do  organismo em resposta  ao estímulo: sob  estresse  há liberação de  adrenalina,  que é uma  substância  vasoconstritora,  provocando  uma  redução  no  diâmetro dos  vasos  coronários. Há liberação  de aldosterona, hormônio  que  diminui a diurese  aumentando  o volume  interno  de líquido, o que provoca  o aumento  do número  de  plaquetas   no  sangue ( hemoconcentração). Paralelamente, sob estresse  o organismo libera  corticóide  ( cortisol e hidrocortisona)  que  estimulam  a  glicogênese  (catabolismo) produzindo    um  estado  de hiperglicemia.  A  glicose  metabolizada  fornece  energia. Se o estímulo estressor  for  intenso,   ele   representará  uma  ameaça  à vida, podendo  levar à morte.
            O estágio de resistência  surge  quando a  ação  do  estressor  é  prolongada,  exigindo  uma  adaptação  do  organismo. Contrariamente   ao  que  acontece  na  reação  de  alarme,  há  uma  rarefação   do   sangue (diluição-sedimentação) e  anabolismo  com  retorno  para  a  glicemia  normal. Outras  reações  vão  ocorrendo   no   organismo,  se  o  estresse   persiste.
             No   cérebro  há   um    conjunto   de  estruturas  chamadas   de  sistema  límbico,  que  é  o  responsável  pela  regência  da vida  emocional,  do  pensamento,   da  vontade  e  das  ações. O  sistema  límbico    integrado   com   o   hipotálamo  irá   reger  o  sistema   nervoso  autônomo,  o  sistema   imunológico e o  sistema  neuroendócrino.
             O estágio  de   esgotamento  desenvolve-se  quando   a  ação   do   estressor,  ao  qual  o  organismo  se  adaptou,  permanece  por  um   período  longo,  esgotando a  energia  de  adaptação. O organismo  é  atingido   no  plano  biológico  ou  físico  e   no  plano  psicológico  ou  emocional.  Cada  indivíduo  tem   propensão  para  adoecer  de acordo  com o  órgão-alvo  de maior  fragilidade, com a própria  constituição  e  suas  heranças  genéticas.
             
              O grau de desgaste do corpo diante de agentes estressores depende:
1. do efeito  direto  do agente  estressante   sobre o  indivíduo.
2.de respostas  internas  que estimulam a  defesa  dos  tecidos.
3.de respostas  internas   que  estimulam  a  rendição  dos  tecidos,   em  virtude  da   inibição   das   defesas.
              O equilíbrio ( homeostase)  desses  três  fatores  vai  determinar  a  resistência,  a  adaptação  e a falência    em   resposta   ao  estresse. Só a  presença  de  estímulos  estressores  não   provoca  automaticamente   o  estado  de  estresse. O mesmo  estressor  pode  provocar   reações  distintas  em  indivíduos  diferentes. Há  fatores  condicionantes  individuais:  predisposição  genética,  idade,  sexo  e personalidade.    

O que é o estresse I

      A palavra estresse vem do inglês  "stress."  este termo  foi usado  inicialmente  na física  para traduzir  o grau de deformidade  sofrido  por um material  quando submetido a um esforço ou tensão.
       Em 1936, Hans Selye formulou  um conceito  de estresse  analisando em detalhes  reações  endocrinológicas. Este conceito tornou-se um paradigma de pesquisa  usado até hoje e que muito contribuiu para  popularizar informações  a respeito deste  fenômeno.
       Costuma-se empregar  o termo  "estresse"   de uma maneiro muito  indiscriminada.  Quase  sempre pessoas dizem  "estou  estressado" ,  referindo-se  a  cansaço, fadiga, desgaste.  O termo  é usado para expressar variadas  sensações  que têm em  comum o sentido de dificuldade, pressão ou desgaste extremos.
        Porém,  somente a sensação  de desgaste  não  constitui-se  no conjunto específico  de sintomas  que Selye classificou  como estresse. O  "estresse" é  causado  pelas  alterações  psicofisiológicas que ocorrem  quando a pessoa  se vê forçada a enfrentar  uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite,  amedronte,  excite  ou  confunda,   ou  mesmo que a  faça  imensamente  feliz. Qualquer situação que  desperte  uma  emoção forte,  boa  ou  má,  que  exija mudança, é um estressor, isto é,  uma fonte de estresse.
       Assim, o  estresse  pode  ser  causado  por um  acontecimento bom,  como uma  promoção, ou mau, como desemprego ou  dificuldade financeira.
        "Estresse",  a  princípio não é uma  doença. É apenas  a  preparação  do organismo  para  lidar com as  situações que se apresentam, sendo então uma  resposta  do  mesmo  a um  determinado  estímulo a  qual  varia  de  pessoa  para  pessoa. O  prolongamento  ou  a exacerbação de uma  situação específica é que  de acordo  com as características  do indivíduo naquele momento, podem gerar alterações  indesejáveis.
        É importante  enfatizar  a natureza não patológica  do estresse  porque a  ausência  total de estresse equivale à morte. A função das  alterações  orgânicas,  que conformam o quadro de estresse é preparar o  organismo para a ação,  para  a  adaptação    imediata  à  situação causadora  do estresse para, em  essência,  favorecer  a  sobrevivência.
         À primeira  vista ,  o estresse, poderia  ser  considerado uma síndrome  complicada que a natureza impingiu  ao  ser  humano. Mas  em  essência, ele é um  complexo  recurso  que  aumenta  as  chances   de  sobrevivência  e  adaptação à  situações  desafiadoras.

O que é o estresse I

Introdução III

      O profissional  do  magistério,  já  pela  natureza  mesma  do  seu  trabalho__a formação e a educação de crianças,  jovens e adultos__,  tem de viver  a busca e a inquietude  que a amplitude desta tarefa pede. Isso exige dele uma  grande capacidade  de conectar-se  com cada acontecimento ao redor. Constantemente interage com uma  gama  de fatores  que vão desde o questionamento  da condição humana,  até  a preocupação no que  diz  respeito à  realidade  sócio-econômica  no que ela tem de justa ou  injusta,  desequilibrada ou  equilibrada. Ele está  face-a-face  com o dinamismo  do mundo  atual, que diversas  vezes  transforma-se em violência, anormalidades, aberrações, crimes e guerras.
     O alvo  de seu trabalho é o ser humano, o qual mostra-se  complexo e contraditório com suas fragilidades,  delicadezas,  limitações  e  grandezas.  E isto impele  estes profissionais à constante reflexão,  no  sentido de atender  a  todas  estas solicitações. Não que tenham  de  sacar  uma solução pronta e acabada para  os  problemas. Contrariamente,  precisam  deixar  sua  sensibilidade  ser tocada, alterada,  mobilizada a fim  de que  sejam  transformados  por este fatores e possam  também  serem  agentes de transformações.
      Diante do exposto,  muito freqüentemente têm uma  sensação  de que não  estão  arcando  com toda a demanda que a  profissão exige;  pois precisam ganhar a vida de colégio em colégio,  contornando  situações  emergenciais na sala de aula,  formulando  e  corrigindo  provas  e outros  instrumentos  de avaliação. Empenham-se em elaborar  propostas  para  levar  aos  educandos e muitas vezes  notam  que elas não  surtem  o resultado esperado. Algumas vezes podem ficar  com a sensação de que erraram de alguma maneira,  que a linguagem usada não sensibilizou os alunos, que  levaram conteúdos ou  objetos  de estudo que não  mobilizaram  o interesse  de seus  educandos, ao mesmo tempo em que desperdiçam  interesses  latentes por não  compreendê-los  a tempo ou não disporem do amparo  logístico  necessário. Também enfrentam  o agravante  da falta  de tempo para  ler, fazer cursos,  informar-se  e   atualizar-se,  necessidade esta  que já é  uma  tentativa de  compensar  o fato  de que não foram suficientemente preparados  para lidar  com tantas  variáveis.
      A hipótese  é  de que o professor  exerce  seu  ofício  sob um grau  de estresse  mais intenso  que o desejável e que isto repercute negativamente na  sua  saúde  e no seu trabalho.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Introdução II

                 No caso  específico  do  professor, e  como vem acontecendo  em  outras  profissões, há indícios  de  distanciamento  entre  o  trabalho prescrito e   o   trabalho real, o  que  pode  contribuir  para  o processo  de estresse e a Síndrome  de  burn out. Arriscaríamos  mesmo a  afirmar  que o mal  estar  do  docente é o subproduto   deste   descompasso perverso  entre o  trabalho pedagógico  real  e o  trabalho pedagógico  prescrito.
          O  cenário por  vezes  alienante   das  condições  de trabalho   impostas  ao  professor (trabalho prescrito)  resulta  também  de  sobrecargas  ocupacionais  originárias  de uma  organização perversa   do trabalho humano, como por  exemplo: despreparo  do  professor em desempenhar  tarefas típicas  da  sala de aula;  rigidez  na   escala  hierárquica  do magistério  e  da  administração escolar;  medidas administrativas  mais  punitivas  que  reforçadoras;  perspectiva   duvidosa  de  crescimento  profissional  na  carreira  do  magistério; interferência  de  interesses pessoais e  alheios  aos objetivos  da educação  na  verdadeira  política  educacional  edificante dos  interesses coletivos;  não reconhecimento  pelo  trabalho  realizado  e  outras  dificuldades.
           Os  sofrimentos   no   trabalho  implicam  sentimentos  de inutilidade, apatia,  estagnação,  falta de liberdade,  falta  de  realização  pessoal,  falta  de  reconhecimento  por  parte  do grupo. Para eliminar  as  possibilidades  de  sofrimentos,  o trabalhador   costuma  utilizar-se  de  estratégias  de fuga para  se  proteger  de situações  desagradáveis, como,  por  exemplo,  se isolar  do  convívio com colegas, faltar  sistematicamente  ao  trabalho ou  dispensar  alunos   mais   cedo. Observa-se um  enorme  esforço do  trabalhador  no  sentido  de  transformar  o  ambiente  aversivo  do trabalho prescrito  no  ambiente  agradável   e prazeroso  do   trabalho real, o que  muitas vezes lhe  custa  sacrifícios  físicos   e  mentais.
           Todo  esse  sofrimento  relaciona-se  com  a  rigidez  na  organização  do  trabalho,  com a sua divisão e  padronização de   tarefas, assim  como com  a  subutilização  do  potencial do  professor,  além do  descaso  pelas  suas  possibilidades  criativas. Como  solução  extrema,  para  permanecer  no  posto  de  trabalho,   o  professor  desenvolve  então os mecanismos de  sobrevivência  citados, que supostamente  modificam    suas  relações  no ambiente  de trabalho."
        
           Além do que,  nem  sempre  as  autoridades   responsáveis  pelos  sistemas  educacionais do País preocupam-se  em  abrir  um  amplo  e   eficaz   debate  com  a  finalidade  de  aproveitar  a  experiência  que  os   professores  adquirem   em  sala   de  aula, no convívio  direto  com o  aluno; pois  é  ali  onde  tudo  o que  é  falho  na  macroestrutura  da educação e  da  sociedade,  vai  manifestar-se  sob  a  forma  concreta  de  perturbações  várias  no  processo  ensino-aprendizagem.
            Um dos  problemas  pelos  quais  a  educação  no Brasil  passa   atualmente é a tentativa, por parte  dos  grupos  diretores  de  políticas  educacionais,  de democratizar  o  ensino  o máximo  possível a  fim  de  conseguir  incluir  numerosas  crianças,  adolescentes  e adultos  que antes não tinham  acesso  à  escola. Nota-se  um  esforço  crescente  por  parte  da  escola  de  abrir  suas  portas  ao  todo da sociedade. E é  claro  que  os  professores ,  acham  estas  iniciativas  bastante  louváveis, e muito os  satisfaz  a  natureza  incluidora  desta  experiência. No entanto,  há que se questionar até que  ponto  esta   inclusão é verdadeira,  eficaz  e  possui  de  fato  a  capacidade  de  trazer  a   população (antes  excluída) para  dentro da  escola,  preparando-a  para  a vida  e para  o mercado de  trabalho. Seria oportuno indagar  se o projeto  incluidor  está  sendo   conduzido  no  sentido  de  apoiar  as  pessoas  vitimadas  por   uma   contínua  exclusão a  superar  de fato  as  dificuldades  do  processo  ensino-aprendizagem,  ou está  apenas  velando  a situação,  multiplicando  o  número  de vagas  e mostrando  excessiva  preocupação  em aprovar  a qualquer custo  ainda que o educando saia  da
 escola  sem  a  devida   maturidade  emocional,   intelectual  e ética  para  dar  conta  dos  embates da vida e  do mercado  de  trabalho.
       Deduz-se  que  o  processo  de  inclusão  na  escola  brasileira,  necessita  de  muitos   aperfeiçoamentos   e   principalmente   investimentos,   enquanto  disponibilidade  de  recursos materiais, uma vez  que sabe-se bem e não se pode fugir disto: educação custa caro e demanda  um  esforço  considerável  de   planejamento  e   organização. Surgem algumas  perguntas imediatas: Os  critérios  usados  pelo  estado  brasileiro  para  aplicação  de  verbas  vai  voltar   o  foco  da sua  escolha para  as  imensas  lacunas  da  democratização do  ensino? Disponibilizará  a  energia humana  e os  montantes  necessários  para  dinamizar  um  projeto  de   inclusão social?Terá  esse  projeto    a  profundidade  suficiente para  modificar  os  padrões  arraigados  que  caracterizam  a  sociedade  brasileira?  São  perguntas  inquietantes     diante  da complexa  sociedade brasileira,
podendo-se   mesmo  traduzir  a  qualidade  de complexa  pelo  termo  confusa    uma vez que o   Brasil apresenta  problemas  seculares  de  exclusão, advindos  de  uma  formação  social que  em  suas  raízes  já   seguiu  um  modelo  escravocrata,   elitista e   centralizador  dos  recursos  materiais  nas  mãos  de  poucos.
         Sobre  o  projeto  inclusionista como  fonte  de  estresse,  comenta   Francisco  de Paula  Nunes  Sobrinho, em  livro  organizado  por  Marilda Lipp:

"No posto de  trabalho docente,  os  especialistas  começam  a  observar   indícios  de  incompatibilidades  entre   os  limites   pessoais  do  professor  diante  das  demandas  da  população  infantil  e  adolescente e do sistema  educacional,  como   por  exemplo,  o  comportamento  exibido pelo  aluno  em sala  de aula e a  peculiaridade  do  movimento  inclusionista  em  educação."

        Nisto, a  pesquisa  até  enseja  uma  abordagem  da  maneira  como  o   Brasil  vem  inserindo-se  no  processo  de   globalização, como mais   um   desdobramento   deste  modelo  inicial. A  globalização,  sob  certos  aspectos,  está  se  tornando   um  fator  a  mais  de  estresse  para  o trabalhador  brasileiro, o   qual  vê-se  compelido a   entrar   numa  competição  para   acompanhar  a  demanda  de  conhecimentos,  informações,   domínios  de novas  técnicas  e  tecnologias que  até      então  lhe  eram   desconhecidas.
        E esta competição,  longe  de assumir  feições  moderadas,   exige  fôlego,  pois  tem  de vencer  a  grande  distância  sócio-econômica  entre  o Brasil,  e os  centros  geradores  desta  mudança. É  claro  que não se trata  de incentivar  aqui  o  isolamento  face às  tendências  do  mundo  contemporâneo e muito menos  pautar-se pelo  marasmo  existencial   e  profissional. Os  professores  não  reivindicam como  benefício, nenhum comportamento  vicioso ou  resistente no  sentido  de   vencer  a  inércia  ou  os  desafios  do  aprendizado. A queixa  vai  justamente  no  sentido  de que  em  inúmeras  ocasiões,  não  se lhes oferecem  os  meios  necessários  para  vencerem   esta  defasagem. Os   meios  requisitados  seriam   escolas,   cursos,  equipamentos,   treinamentos  e  tempo para que  eles  se  dedicassem  a um novo  aprendizado com  a  calma  e a  concentração que  isto  exige.
         Veja-se  o que  descobriu  Marilda Lipp em sua  pesquisa  sobre  o assunto:

          "Um  estressor  inesperado quando  comecei  a  conversar com  colegas, e  que  apareceu  com muita  freqüência,  foi  a  modernização  da   tecnologia. Professores  muito  capazes  e  inteligentes,  ainda  lutam  com  grandes  dificuldades  com  computadores,  data shows e  Internet. O tecnostress, também  chamado de  stress  high  tech, ou  seja,  o estresse  gerado  pelo avanço  tecnológico,  sem  dúvida  está  presente  na vida  de quase  todos  os   professores.
           Na verdade,  tenostress é  a complexa  reação  que  ocorre  quando  o  ser  humano tenta  e não  consegue  absorver  toda a estrutura  operacional  de uma máquina em  uma  tentativa  de  entendê-la     e com ela se  comunicar . Ocorre  quando  as  exigências  da  interação  homem-máquina   ultrapassam  a  capacidade  do ser humano  de  entender  as  mensagens  tecnológicas  para  poder  fazer uso  do  potencial  técnico  prometido. Tecnostress  envolve   uma   falha  na  interação  máquina-gente, em geral atribuída à  dificuldade  do homem de  entender a  máquina.."

domingo, 8 de maio de 2011

Introdução I

         Um dos agravantes  do estresse no trabalho é a limitação a qual  a  sociedade  submete as pessoas  quanto à manifestação de suas  angústias,   frustrações  e  emoções. Por  causa  das normas  e  regras  sociais  as  pessoas  acabam   ficando  prisioneiras do correto,   obrigadas a aparentar  um comportamento  emocional   incongruente com  seus  reais  sentimentos  de agressão ou de medo.
         No ambiente  de trabalho os estímulos  estressores são muitos. Pode-se  experimentar  ansiedade  significativa (reação de alarme) diante  de desentendimentos  com  colegas,  diante  da  sobrecarga e da corrida  contra  o  tempo. Da insatisfação salarial e,   dependendo  da   pessoa,  até com o  toque do  telefone. A desorganização no ambiente  ocupacional  põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente  as   condições  pioram  quando não há clareza nas  regras, normas e nas  tarefas  que deve  desempenhar  cada  um  dos  trabalhadores,  assim  como o trabalho nos   ambientes  insalubres  e na falta  de ferramentas  adequadas.
          Fatores   intrapsíquicos  relacionados  ao  serviço  também  contribuem   para  a  pessoa  manter-se  estressada,  como  é  o  caso  da  sensação  de  insegurança  no  emprego,  de  insuficiência  profissional,  pressão  para  a  comprovação  de  eficiência  ou,  até  mesmo,  a  impressão continuada de estar  cometendo  erros  profissionais. Isso  tudo  sem  contar  com  fatores  internos  que a  pessoa traz   consigo para  o  emprego,  tais como: seus  conflitos,  suas  frustrações,  suas  dificuldades  de relacionamento.
          A sobrecarga  de  estímulos  estressores  é  um estado  no qual as  exigências  do  ambiente  excedem  a  capacidade   de  adaptação das  pessoas.  Os  quatro  fatores  principais  que  contribuem  para  a  demanda  excessiva  de agentes  estressores  no trabalho são:

1-urgência  de tempo
2-responsabilidade excessiva
3-falta de apoio
4-expectativas  excessivas  da  própria   pessoa  e  daqueles  que  cercam-na

          A tentativa  inicial  é de  compreender  o estresse  sob  o ponto de vista  fisiológico: sua origem  nos  estímulos   exteriores  e  alterações  que  estes   provocam  no  organismo.  Feito isso, a pesquisa abraça mais  três itens  significativos  no  que  toca  à  prevenção  do  estresse: Identificar  algumas possíveis  causas  sociais ou  profissionais  do  estresse.  Mostrar  o  que  acontece  a   uma  pessoa submetida  continuamente  a  estímulos  estressores.  Fazer um  balanceamento entre  tipos  de benefícios ou  malefícios  que poderiam   atingir  pessoas   cujas   profissões  apresentam   abundantes  fatores  de  estresse.
           Partindo-se  do  princípio  que  uma   exposição  mínima  ao  fatores  de   estresse  faz-se necessária  para   que  o  ser   humano   sinta-se  impelido  a  produzir  mais  e melhor,  o estresse  não é de todo  indesejável.  A  proposta  do  trabalho  é  refletir  até  que  ponto  estes  desafios  são  aconselháveis  e  podem   ser   suportados  sem   prejuízo  da  saúde  do  professor  e  sem  interferir  negativamente  na  qualidade  do  seu  trabalho.
           O exercício do magistério  exige  do  professor  um   grande   investimento   emocional,  e  até  uma  dose    considerável   de   sacrifício,  uma  vez   que  impõe-lhe   numerosas   dificuldades. Uma das dificuldades primordiais  com que  se  depara  o  professor, é a  necessidade  de  trabalhar  com  classes  numerosas ( mais  ou menos  40 alunos). O número  excessivos  de alunos,  pode  tornar-se  problemático à   medida  em  que  multiplica  as  situações   de   interações   pessoais  e  de  tarefas  pedagógicas  atribuídas   ao   docente. Além do que,  remete  às  questões   disciplinares  que   surgem  comumente  em  sala  de aula.  Tudo indica que  fenômenos  graves e   desestruturadores  que  acontecem  na   esfera  social, repercutem   como  desequilíbrio na formação do indivíduo. A sala
  de aula representa  uma  caixa  de ressonância que  responde  com bastante fidelidade  às  oscilações  e  desequilíbrios  provenientes  do   complicado  contexto  social  no  qual  ela  situa-se. É notável  o  quanto   de  jovens que  chegam  até ali  apresentando  comportamentos  anti-sociais  e  agressivos, que  talvez  sejam  produtos  de uma socialização  confusa   e   desagregadora   do  convívio  humano no que  ele tem  de  mais  agradável  e  gratificante; a solidariedade, o reconforto  e a  revivificação
provenientes  do  contato  harmonioso  com  o  outro. Estes  jovens,  muitas  vezes,   transmitem a  impressão  de não confiarem  ou não acreditarem  que  a  escola  terá   um  papel  positivo  em suas  vidas.
      São abundantes  os   problemas  disciplinares  como  tentativas de tumultuar  o ambiente  da  sala, falta  de  engajamento  nas  atividades  que estão  sendo  propostas  ou  desenvolvidas, desinteresse pelo  conteúdo  que  está  sendo  posto  em   estudo,  uso  excessivo  de    palavras  de  baixo  calão, estudantes  que  exercem  liderança negativa  sobre outros.
      Uma outra  dificuldade,  também  bastante costumeira, é o trabalho  com  turmas que apresentam um  grau  considerável  de  heterogeneidade,  o  que  dificulta  a  escolha  de  atividades  que  satisfaçam  e  aproveitem  o  potencial  de  todos  os  alunos  simultaneamente.
      É interessante, com relação  às  frustrações  do  trabalho  docente,  as  reflexões de  Francisco de Paula Nunes Sobrinho, expressas nos  conceitos  de  "trabalho  prescrito"   e   "trabalho  real". A despeito de seu  direcionamento  e   preocupação  para  organizar  o trabalho  e  garantir  que  ele seja operante  e  produtivo,  o  "trabalho prescrito"  é  carente  de  um  foco  que  contemple  a  necessidade,  profundamente  humana,  de  auferir  gratificação  no   que  é  realizado   como  trabalho.
       Por  trabalho  real  Francisco  de  Paula  Nunes  Sobrinho,  entende   o  somatório  de valores  e  práticas, que   promoveriam  para  o  agente  do  trabalho,  a   presença  de  reforços   positivos  de  sua  ação  sobre  o mundo.
       Vejamos  o ponto de  vista  de   Francisco  de   Paula   N.  Sobrinho    no  seu  artigo  intitulado  "Dissociação entre  o  trabalho   pedagógico  prescrito  e  o  trabalho   pedagógico  real" (constante  no livro  o estresse  do professor, organizado por  Marilda E. N. Lipp)
       "Os  efeitos  negativos  produzidos pela  dissociação  entre o trabalho  prescrito e o trabalho real  sobre  a  saúde  e  a  qualidade de  vida  no  trabalho têm  sido  um  dos temas  que  mais  desafiam  os  ergonomistas  na   atualidade. No mundo  do trabalho, o  trabalho  prescrito é caracterizado pelas  regras  de  convivência   socioprofissionais,  pelas  responsabilidades  e  competências   atribuídas  ao  trabalhador,  pelas  exigências  e   pré-requisitos  nas  operações  de  trabalho,  pela  legislação  e  pelas  normas  regulamentadoras,   pela   ética  profissional,  pelas  regras de segurança,  pela  regulamentação  de  tempos,   pela  execução  de tarefas  específicas,  pelo  detalhamento   de  tarefas,  dentre  outras.
        O  prazer  em  executar   o  trabalho   docente  tem  como  determinante  o  reconhecimento   por  parte  dos   colegas,  o  sentimento  de  aceitação  e de admiração  pela  direção da  escola,  o reconhecimento  dos  pais  e  dos  alunos,   o   sentimento  de  que  o trabalho  cumpre uma  função  social,  reduzindo  as  desigualdades  sociais  e  evitando   a  exclusão  do  contigente  escolar, além   de  proporcionar  liberdade  de  expressão.  A esse  conjunto  de  eventos  altamente  gratificantes da  profissão de  professor,  os  estudiosos  chamam  de  trabalho real.

sábado, 7 de maio de 2011

De que se trata

        Fiz esta pesquisa como monografia para um curso de  psicopedagogia. Minha  proposta não é fazer uma defesa  de  teses científicas nem de pontos de vista de um profissional. Este trabalho é apenas  fruto do meu esforço  em  lidar com  o meu  próprio estresse.
        No entanto, ao  pesquisar  deparei-me  com  informações básicas  e   simples sobre o estresse, as quais,  mudaram  muito  a minha  vida. Entusiasmei-me  também  por  alguns   pesquisadores  e pensadores,  que  têm  dado  contribuições  valiosas   no  combate  ao  estresse.
         Penso que   postando  aqui estarei compartilhando   informações  que  poderão  ser úteis  e interessantes para outras pessoas  como foram para mim.

                                                            Esclarecimento

     Originalmente, o trabalho  dirigiu-se aos  professores e  intitulou-se  " O estresse do  professor". Consta de algumas  considerações  sobre  como   as  práticas  profissionais do magistério geram  estresse  e de reflexões  sobre estresse de um modo geral. Excetuando-se algumas  pequenas particularidades  pertinentes  ao  magistério, o conteúdo  aplica-se  a todos  que  por  quaisquer  razões precisam  submeter-se  a fatores  estressantes. Salvo, é claro, particularidades outras  que não puderam serem     previstas no âmbito da pesquisa.

                                                                Objetivos

       Além dos objetivos  já citados,  é uma  tentativa de alertar  às pessoas  para não deixarem que os sintomas  causados pelo  estresse  negativo,  avancem  até  seus   estágios  finais,  provocando  malefícios  difíceis  de serem sanados.

                                                                 Resumo

     O estresse  é uma  reação    orgânica   própria  do  ser humano. Aliás, é  uma reação muito importante, pois garantiu  a  sobrevivência  da espécie  quando seus  ancestrais  precisavam  habitar as cavernas,  enfrentar o frio estando quase nus, enfrentar a noite com  mil  perigos  e o  dia com seus  afazeres,  isto é; caçar  animais  muitas vezes  maiores  e  mais  fortes  ou  outros  pequeninos  e  traiçoeiros, cortar  os  pés nos caminhos   pedregosos, furar as mãos  nos  espinhos  das  plantas.
     Agora não é  mais  necessário caçar  mamutes. É só ir ao supermercado. A comida está toda lá. É só? Não, não é bem assim.  Hoje,  não   há mais  mamutes. Come-se carne bovina, frango, legumes etc. E está tudo  lá no supermercado esperando. Porém...entre a  residência e o supermercado há o dia  com seus mil  afazeres. Pagar  o aluguel, a prestação do carro,  a  escola  das  crianças, planos de saúde, e é claro, a conta do supermercado.
      A vida  transcorre  num mundo  cheio de promessas  de  conforto e bem estar,  mas muitas armadilhas  escondem-se  atrás  deste  suposto  bem   estar. Os  perigos  não são mais tão imediatos quanto   aqueles  enfrentados  pelos  tataravós  das  cavernas.  A sutileza dos  perigos, nos deixa mais vulneráveis, pois nos expomos  inadvertidamente  ao que não é tão óbvio. Com sinuosidade  e constância, os perigos  encontram-se na família, no trabalho, nos demais relacionamentos, enfim  em todas as tentativas humanas  de  interagir com a vida moderna.
       Lembra o processo  do castigo  chinês. Ninguém derrama um  balde  d'água sobre a cabeça do outro. Porém, pinga que pinga; uma discussão, uma conta atrasada, um filho complicado,  um aluno mais confuso, aulas a preparar,  cursos a  fazer,  trânsito engarrafado,  salário  atrasado,  dores mal curadas. Então,  a qualquer momento,  alguém nota que começou  a ficar  estranho,  a sentir alterações no comportamento, a  ficar  cansado e  desanimado.
        Hoje em dia a  palavra  estresse é muito conhecida. Com freqüência,  quando   alguém  sente-se desgastado, diz: "estou  estressado". Porém,  há indícios  de  que nem todos  sabem muito bem como lidar  com  isso. No ensino médio aprende-se quais  são as partes da célula,  mas nada  sobre como  lidar com o estresse. Após terminarem seus  cursos  de  formação,  professores  descobrem que os componentes curriculares nem sempre  foram  selecionados e planejados  de  acordo  com  os desafios  que  encontrarão  nas  salas  de aula. Vejamos  o que diz  Francisco de Paula Nunes sobrinho em seu artigo para o livro  organizado  por  Marilda Lipp.:
"Em relação a esta última  possibilidade  de  utilização de  análise  ergonômica do   trabalho, infelizmente as  reformas  curriculares  de    cursos  voltados  para  a  formação  do professor  ainda não fazem uso  desse  instrumento. Como  conseqüência,  os conteúdos  curriculares  identificados  nessas  reformulações  continuam  desprovidos  de  critérios  apurados  que  definem o  perfil, as reais  competências e  as habilidades  do  profissional de educação."
        Quando os professores adoecem, consultam  os  médicos. Mas já é tarde para informações e medidas  preventivas. O  tratamento terá que  assumir  um  caráter  curativo. O paciente, provavelmente não estará  preparado  para ouvir  explicações. Ninguém  disse-lhe oportunamente que auto conhecimento  ajuda,  que reações individuais podem ser  diferentes  diante do mesmo estímulo, etc. Segundo o ponto de vista  de David Fontana em seu livro  Psicologia para  professores "...o estresse cobra seu tributo, e é importante  saber  tanto  quanto  possível  sobre ele para  evitá-lo enquanto se  pode e lidar com ele com sucesso  quando for  inevitável. É importante reconhecer  seus primeiros  estágios e tomar medidas corretivas  antes  que  as  coisas  piorem. Insônia,  ataques de pânico,  mudanças  abruptas    nos padrões  de vida  estabelecidos, uso  crescente de bebidas alcoólicas, agitação, depressão, irritabilidade são sinais de estresse  progressivo e devem ser cuidados antes  que  o  problema  se  agrave.
         Em  seu  livro " como  enfrentar o  estresse,  Marilda Novaes Lipp também adverte  que informação é uma proteção considerável para  todos aqueles  que  precisam  submeter-se  a muitos estímulos  estressores:
"Um dos  problemas  mais  comuns  que o ser humano enfrenta,  em qualquer  idade, é o  estresse. Todos  já o experimentaram,  mas poucos  o compreendem  ou    reconhecem  o  impacto que o estresse   pode  ter  no  seu  corpo. É possível, no entanto,  aprender a reconhecê-lo, controlá-lo e, até mesmo, utilizá-lo para o nosso benefício. O primeiro passo é  compreender o que é estresse."