O profissional do magistério, já pela natureza mesma do seu trabalho__a formação e a educação de crianças, jovens e adultos__, tem de viver a busca e a inquietude que a amplitude desta tarefa pede. Isso exige dele uma grande capacidade de conectar-se com cada acontecimento ao redor. Constantemente interage com uma gama de fatores que vão desde o questionamento da condição humana, até a preocupação no que diz respeito à realidade sócio-econômica no que ela tem de justa ou injusta, desequilibrada ou equilibrada. Ele está face-a-face com o dinamismo do mundo atual, que diversas vezes transforma-se em violência, anormalidades, aberrações, crimes e guerras.
O alvo de seu trabalho é o ser humano, o qual mostra-se complexo e contraditório com suas fragilidades, delicadezas, limitações e grandezas. E isto impele estes profissionais à constante reflexão, no sentido de atender a todas estas solicitações. Não que tenham de sacar uma solução pronta e acabada para os problemas. Contrariamente, precisam deixar sua sensibilidade ser tocada, alterada, mobilizada a fim de que sejam transformados por este fatores e possam também serem agentes de transformações.
Diante do exposto, muito freqüentemente têm uma sensação de que não estão arcando com toda a demanda que a profissão exige; pois precisam ganhar a vida de colégio em colégio, contornando situações emergenciais na sala de aula, formulando e corrigindo provas e outros instrumentos de avaliação. Empenham-se em elaborar propostas para levar aos educandos e muitas vezes notam que elas não surtem o resultado esperado. Algumas vezes podem ficar com a sensação de que erraram de alguma maneira, que a linguagem usada não sensibilizou os alunos, que levaram conteúdos ou objetos de estudo que não mobilizaram o interesse de seus educandos, ao mesmo tempo em que desperdiçam interesses latentes por não compreendê-los a tempo ou não disporem do amparo logístico necessário. Também enfrentam o agravante da falta de tempo para ler, fazer cursos, informar-se e atualizar-se, necessidade esta que já é uma tentativa de compensar o fato de que não foram suficientemente preparados para lidar com tantas variáveis.
A hipótese é de que o professor exerce seu ofício sob um grau de estresse mais intenso que o desejável e que isto repercute negativamente na sua saúde e no seu trabalho.
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