terça-feira, 10 de maio de 2011

Introdução III

      O profissional  do  magistério,  já  pela  natureza  mesma  do  seu  trabalho__a formação e a educação de crianças,  jovens e adultos__,  tem de viver  a busca e a inquietude  que a amplitude desta tarefa pede. Isso exige dele uma  grande capacidade  de conectar-se  com cada acontecimento ao redor. Constantemente interage com uma  gama  de fatores  que vão desde o questionamento  da condição humana,  até  a preocupação no que  diz  respeito à  realidade  sócio-econômica  no que ela tem de justa ou  injusta,  desequilibrada ou  equilibrada. Ele está  face-a-face  com o dinamismo  do mundo  atual, que diversas  vezes  transforma-se em violência, anormalidades, aberrações, crimes e guerras.
     O alvo  de seu trabalho é o ser humano, o qual mostra-se  complexo e contraditório com suas fragilidades,  delicadezas,  limitações  e  grandezas.  E isto impele  estes profissionais à constante reflexão,  no  sentido de atender  a  todas  estas solicitações. Não que tenham  de  sacar  uma solução pronta e acabada para  os  problemas. Contrariamente,  precisam  deixar  sua  sensibilidade  ser tocada, alterada,  mobilizada a fim  de que  sejam  transformados  por este fatores e possam  também  serem  agentes de transformações.
      Diante do exposto,  muito freqüentemente têm uma  sensação  de que não  estão  arcando  com toda a demanda que a  profissão exige;  pois precisam ganhar a vida de colégio em colégio,  contornando  situações  emergenciais na sala de aula,  formulando  e  corrigindo  provas  e outros  instrumentos  de avaliação. Empenham-se em elaborar  propostas  para  levar  aos  educandos e muitas vezes  notam  que elas não  surtem  o resultado esperado. Algumas vezes podem ficar  com a sensação de que erraram de alguma maneira,  que a linguagem usada não sensibilizou os alunos, que  levaram conteúdos ou  objetos  de estudo que não  mobilizaram  o interesse  de seus  educandos, ao mesmo tempo em que desperdiçam  interesses  latentes por não  compreendê-los  a tempo ou não disporem do amparo  logístico  necessário. Também enfrentam  o agravante  da falta  de tempo para  ler, fazer cursos,  informar-se  e   atualizar-se,  necessidade esta  que já é  uma  tentativa de  compensar  o fato  de que não foram suficientemente preparados  para lidar  com tantas  variáveis.
      A hipótese  é  de que o professor  exerce  seu  ofício  sob um grau  de estresse  mais intenso  que o desejável e que isto repercute negativamente na  sua  saúde  e no seu trabalho.

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