sábado, 21 de maio de 2011

O estresse e a vida moderna II

      De   modo que  tudo  segue  a direção  pré-determinada. A  instrução é fazer,  realizar  e  produzir.  Então,    gastando  apenas  30 minutos  da  casa  ao  trabalho,  e no  final  do dia   tendo  a  sobra  de 1 hora,   freqüenta-se   umas  aulas  de  estratégias   de   marketing.  Porém,    dias  depois,  uma  instituição  educacional   inaugura  um  curso  de  marketing  à  distância.  Como  já  é   possível   ir  para  a casa  e não  mais  gastar  1 hora  no curso  de  makerting;  é só providenciar  a  matrícula   do  curso  de  inglês.  A  vida  contemporânea  impulsiona   as   pessoas   a  viverem  freneticamente  economizando tempo  somente  para   preenchê-lo   com  outros  afazeres    e  solicitações.
       A automação nem  sempre  realiza  os ideais  de  conforto  que  suscita.  Agora,  seres  humanos  vivem  num  mundo  em que  os fatos  acontecem  muito  mais  rapidamente  do que a  capacidade  orgânica em absorver  estímulos  e  lidar  com  eles. Atende-se  o telefone  celular enquanto  se  está  dirigindo  o  automóvel.  Quer dizer;  pode-se  tomar  uma  decisão   significativa   ao  mesmo  tempo  em  que  se     cuida   para  não   chocar  o  carro  contra  o  caminhão  que vem  à  frente   e  abrir  caminho   para  a ambulância  que vem  atrás.
       Atente-se para  o que diz    Susan  Andrews   no  livro   "Stress a seu  favor."

      "Com grandes  avanços  na  automação  e  informática   imaginávamos  que  iríamos   estar  trabalhando  cada  vez  menos   e  dispondo  de  um  tempo  maior  para  lazer,   artes,  natureza,  família e  vida  espiritual. Ah!  Quem  dera!  Estamos   trabalhando  cada vez mais,  dispondo   de   menos  tempo   para   o   lazer    e    ficando     mais    estressados."

       O  patrão,  chefe  ou  quem quer que pague  a  um  funcionário  vai  exigir   dele   todo  o  seu  empenho  e  capacidade,  porque   ainda  que  seja  o  patrão,  ele  também  tem  dívidas  e  é   o   trabalho   que   produz   dinheiro,   tanto  o  do  salário    do  empregado,  quanto   aquele   que  vai   pagar  as  dívidas  da  empresa.
       A  rede  de  apelos   da  sociedade  já  está  gigantesca,    desmesurada,  torcida,  retorcida  e distorcida  de  tal maneira  que  as   pessoas,   sobrevivendo  nas   suas   malhas,   muito  poucas   alternativas  têm  a  não  ser  cumprir  as   exigências  de  produzir   mais   e  melhor. O  habitante  da civilização  perdeu  grande  parte  de  seu  direito  à  qualidade  de vida,  descanso   e  tranqüilidade;  reduzido  que   foi    à   peça   cuja  função   é   produzir   para  robustecer   as    malhas  da  rede.  Muito  distante  da  paz  do Tibete,  sua  vida   é  um  conjunto  de   apelos  e  demandas  à  sua  capacidade   de  trabalhar  e sobreviver.
       Diante disso, podemos afirmar  que  o  trabalho   é  um  dos  setores  da vida  que   mais  gera  estímulos  estressores e  que,  sob as  pressões  do   ambiente  profissional,  o  organismo  mobiliza amiúde  a  resposta  Neanderthal.

 Vejamos  as  conclusões  de  Susan  Andrews:
       
       "É  o  início  da história  humana,  um  milhão  de  anos  atrás  e o Homo  Sapiens  sai  de  sua   caverna  para  o  ver  o sol  nascer  colorindo  o  horizonte. De repente  ele  ouve  um  ruído   na   floresta.  Seus músculos  tensionam-se,  seu  coração  sente  uma  pancada,  sua  respiração  torna-se  mais  rápida e assim  ele  se  depara   com   um  tigre   dentes-de-sabre.  Deveria  ele  lutar  ou  fugir?  Ele  abaixa-se,  pega    uma  pedra   pontuda   e  arremessa-a   contra  o  tigre,  o  animal  rosna,   mas  desaparece  na   floresta.
       O  homem   sente  seu  corpo  amolecer,  sua  respiração  torna-se  fácil.  Ele  retorna  à sua  caverna  para   descansar...
       Um  milhão de anos  depois... é  o  início  de  outro  dia   de  trabalho,  e o  Homo  Sapiens  sai de  seu  edifício  para   o  barulho    da  "hora  do rush",  momento  de   maior  tráfego  nas  ruas. Ele  abre  seu  caminho    através  da  multidão   e  chega  na  esquina  bem  a  tempo  de  ver   seu  ônibus  partir.  Atrasado  para  o  trabalho,  abre a  porta   do  escritório  e  encontra  seu  chefe   caminhando  de  um  lado  para  o  outro. O chefe grita:  "Seu  relatório  foi  prometido   para   uma  hora   atrás.  E o  cliente  está  furioso!  Se  quiser  manter   seu  emprego,  você   deve  ter   uma   boa   explicação! E  aliás,  pode  esquecer   suas  férias  neste  verão!"
       O homem  olha  para  um  peso  de  papéis  sobre  a  mesa  sentindo  ímpeto  de  arremessá-lo   no  seu  opressor!  Em   vez  disso  senta-se,   com  o  estômago  agitado,  os    músculos   das  costas   tensos  e a  pressão   arterial   subindo.  Ele  procura  um Valium  na  escrivaninha  e  o  toma  como uma    aspirina. Mas não adianta.  Sente-se  péssimo....
        Com  o  excesso  de  trabalho,  conflitos   interpessoais,   problemas   financeiros,   doença  ou  morte   na  família,  estamos  reagindo  aos desafios  dos   dias  atuais   com  a  resposta   fisiológica  de  um   homem  de Neanderthal.  Porém,  diferentemente   dos  nossos  ancestrais  das  cavernas,  não  podemos fugir   dos  nossos  problemas,  nem  lutar  fisicamente  contra  eles. Então,   enfrentamos   tensões  contínuas  contra  as  quais  não  podemos  reagir  com  a  atividade  física.
        O  empregado  que   é   constantemente  criticado   pelo  seu  chefe,   o  estudante   sob  contínua  pressão   por  excessos  de  trabalhos  escolares   e   provas,  a  dona-de-casa  aflita,  ouvindo  repetidas  reclamações   do  marido,   todos  mobilizam   uma   energia  intensa:     seus  músculos  ficam   tensos,  suas  respirações  tornam-se  irregulares,  seus  corações  aceleram-se.
        Mas   embora  estejam  preparados  para  uma  explosão  de  atividade,    não  podem   liberar  sua  tensão   arremessando   o  cinzeiro  sobre  o  chefe  ou   então  sair  correndo.  Eles não  queimam    todos  os  açúcares  e  gorduras   liberadas   pelo   fígado __não fazem uso  de toda  energia despertada  numa  atividade   física   vigorosa,  para   depois   relaxar.  Então,  o que  acontece?"
       
        A  situação   descrita   acima  representa   um  conflito que   precisa  ser  solucionado  para que  o estresse  não perdure  por  um  longo  tempo  gerando  doenças  de  desequilíbrio  no  organismo.

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