O assédio moral é um fenômeno que se repete em várias empresas. Caracteriza-se por práticas sistemáticas e planejadas que visam a destruição moral, emocional e profissional das vítimas. De ordinário, as empresas adotam estas práticas quando lhes interessa marginalizar, estigmatizar, rebaixar ou demitir determinado funcionário.
Seus recursos mais usuais são subterfúgios, mentiras, omissões, trapaças; que tentam deixar a vítima confusa e sem possibilidades de se defender. Principalmente porque não sendo práticas claras e anunciadas ( são, ao contrário, escusas), camuflam as atitudes reais que seriam representadas por situações e elementos concretos, com as quais a vítima poderia comprovar sua condição. E onde inclusive ela própria nem sempre pode claramente perceber-se envolvida nesta situação.
Este fenômeno sempre existiu desde que existe o trabalho, sendo regular e até largamente praticado e conhecido. Porém, ao tentar denunciá-lo e combatê-lo a drª Marie-France viu-se diante de uma dificuldade. Como encontrar critérios que permitissem organizar a observação deste fenômeno além do discurso ingênuo, aleatório e difuso do senso comum, e encontrar caminhos para estruturar um discurso legítimo perante a ciência. Para que obtivesse êxito precisou calcar seus esforços num trabalho de pesquisa sistemática e metodológica. A drª Hirigoyen precisava deste suporte a fim de que pudesse reunir dados, informações, provas, etc que a habilitassem a apresentar à sociedade tanto a realidade do fenômeno quanto o seu caráter propositado, cruel e lamentavelmente eficaz. A drª Hirigoyen desejava mostrar à sociedade o quanto ele é destruidor das relações humanas e responsável pela deterioração do ambiente de trabalho e suas consequências para a saúde do trabalhador.
Para isso, utilizou-se de sua diversificada formação teórica como psicanalista e vitimóloga. Estudou muitos casos clínicos, separando o que havia neles de subjetivo, imaginário ou de patologias individuais; do material semelhante que se repetia e permeava todos os casos. Deste modo conseguiu isolar elementos que denunciavam a existência de fatos que ultrapassavam o âmbito meramente pessoal e situavam-se no coletivo e no social.
Na verdade, as práticas descritas aproveitam-se do potencial tóxico da pressão psicológica. Novo problema para a Drª
Hirigoyen. A denominação "assédio psicológico" continuava guardando relações com o individual e o subjetivo. Já de posse de material devidamente organizado para provar suas idéias, buscou na ética, ramo da filosofia a base neutra e objetiva de que necessitava para doar sua tese à ciência. Assim, apropriando-se do fenômeno como algo real, denominou-o "assédio moral." Isto possibilitou-lhe provar que o fenômeno existia como prática social e era suficientemente deliberado e cruel para justificar a criação de instrumentos jurídicos que o qualificassem como crime, passível de sanções perante à lei.
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