domingo, 3 de julho de 2011

Demissões e assédio moral __ violência no cotidiano do trabalho ll

              O assédio  moral  é um fenômeno  que se repete  em várias  empresas. Caracteriza-se  por práticas sistemáticas  e planejadas  que visam  a destruição moral, emocional  e profissional  das  vítimas. De ordinário,  as empresas adotam  estas práticas  quando  lhes interessa  marginalizar,  estigmatizar,  rebaixar  ou  demitir   determinado funcionário.

              Seus  recursos  mais  usuais são subterfúgios,   mentiras,  omissões,  trapaças;  que tentam deixar a vítima confusa e sem possibilidades  de se defender. Principalmente porque não sendo práticas  claras e anunciadas ( são,  ao contrário, escusas),  camuflam as atitudes  reais  que seriam representadas por situações  e elementos concretos,  com as quais  a vítima poderia comprovar  sua  condição.  E  onde inclusive ela própria  nem sempre pode claramente perceber-se  envolvida  nesta situação.

              Este  fenômeno sempre existiu  desde que existe o trabalho,  sendo regular  e  até largamente praticado e conhecido. Porém, ao tentar denunciá-lo e combatê-lo  a drª Marie-France viu-se  diante de uma dificuldade. Como  encontrar critérios que permitissem organizar a observação  deste fenômeno  além do discurso  ingênuo, aleatório e difuso do senso comum, e encontrar caminhos  para  estruturar  um discurso  legítimo   perante  a ciência. Para que  obtivesse  êxito precisou  calcar  seus esforços num trabalho de pesquisa sistemática e metodológica. A drª Hirigoyen  precisava  deste  suporte  a  fim  de  que pudesse  reunir dados, informações,  provas, etc  que a habilitassem a apresentar  à sociedade tanto a realidade do fenômeno quanto o seu caráter  propositado, cruel e lamentavelmente eficaz. A drª  Hirigoyen  desejava  mostrar  à sociedade  o quanto ele é destruidor das relações humanas e responsável pela  deterioração  do  ambiente  de  trabalho e  suas  consequências  para  a saúde do trabalhador.

             Para isso, utilizou-se  de sua diversificada formação teórica como psicanalista e vitimóloga. Estudou muitos casos clínicos, separando  o que havia neles de subjetivo, imaginário  ou de patologias  individuais;  do material semelhante que  se  repetia  e permeava  todos  os  casos. Deste modo conseguiu  isolar  elementos  que  denunciavam a  existência  de fatos  que ultrapassavam o âmbito  meramente  pessoal  e  situavam-se  no coletivo e no  social.

             Na verdade, as  práticas  descritas  aproveitam-se  do potencial  tóxico da pressão  psicológica. Novo problema  para a Drª
Hirigoyen. A denominação   "assédio  psicológico"  continuava  guardando  relações com o individual  e o subjetivo. Já de posse  de material devidamente  organizado para  provar  suas  idéias, buscou na ética, ramo da filosofia a base neutra e objetiva de que necessitava  para doar sua  tese à ciência. Assim,  apropriando-se  do fenômeno como algo real, denominou-o  "assédio moral." Isto possibilitou-lhe  provar   que  o fenômeno  existia como  prática  social  e  era  suficientemente  deliberado  e cruel para justificar  a criação  de  instrumentos jurídicos  que  o qualificassem  como crime,  passível de sanções  perante à lei.

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